Salvaterra de Magos cancela Feira de Magos e reformula Mês da Enguia
Câmara de Salvaterra de Magos decidiu redireccionar as verbas previstas para iniciativas festivas destinando-as à recuperação de infraestruturas afectadas pelo mau tempo, numa altura em que o concelho enfrenta prejuízos significativos.
A presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, Helena Neves, anunciou que a Feira de Magos não se realizará este ano e que o Mês da Enguia será reformulado, na sequência dos estragos provocados pelas recentes intempéries e cheias que atingiram o território. Num comunicado dirigido aos munícipes, a autarca explicou que, após a análise dos primeiros relatórios técnicos, recebidos no dia 10 de Fevereiro, parte do executivo reuniu para avaliar a dimensão dos danos em diversas infraestruturas do concelho.
Segundo a responsável, os prejuízos são “grandes” e exigem uma resposta célere por parte do município, o que implicou a redefinição de prioridades orçamentais. As verbas inicialmente previstas para a realização da Feira de Magos serão canalizadas para intervenções consideradas urgentes, com o objectivo de repor a normalidade na vida da população.
Helena Neves reconheceu que a decisão “não foi fácil”, sublinhando, contudo, que foi tomada na convicção de que representa “o melhor para a vida dos munícipes”. A reformulação do Mês da Enguia, evento de forte tradição no concelho, será ajustada às circunstâncias actuais, embora a autarquia não tenha, para já, detalhado em que moldes decorrerá.
Portugal tem sido afectado nas últimas semanas por episódios de mau tempo, com especial incidência de cheias em vários pontos do país, situação que também atingiu o concelho de Salvaterra de Magos, obrigando o executivo a rever o calendário festivo face às necessidades de recuperação de infraestruturas.
Decisão gera polémica
A posição tomada pelo município de Salvaterra de Magos está, contudo, a gerar divisão no concelho. “O povo não pode pagar duas vezes”. Foi desta forma que se manifestou a Comissão Coordenadora da CDU de Salvaterra de Magos ao considerar que o cancelamento da Feira de Magos e a reformulação “apressada” do Mês da Enguia revelam precipitação e “falta de coragem política”, ao optar-se por cortar em iniciativas que, segundo a estrutura partidária, “dão vida, trabalho e rendimento ao território”.
A CDU sustenta que ainda decorre o balanço, que deve ser rigoroso, aos fenómenos meteorológicos extremos que assolaram o território, defendendo que decisões definitivas antes desse levantamento completo podem ter impactos profundos na vida económica e social do concelho. A coligação argumenta que municípios como Salvaterra de Magos não devem suportar sozinhos o peso da reconstrução, apelando à exigência de apoios urgentes do Estado central e à mobilização de mecanismos nacionais e europeus, em articulação com outros municípios afectados.
Para a CDU, a Feira de Magos “não é um luxo”, mas sim um momento determinante para pequenos empresários, agricultores, artesãos e produtores locais, representando uma parte significativa do rendimento anual de muitos deles. O cancelamento, defendem, poderá fragilizar ainda mais o tecido económico local. Também a reformulação do Mês da Enguia, anunciada a poucas semanas do seu início e sem esclarecimentos concretos, gera, segundo a CDU, incerteza entre artistas, associações e fornecedores.

