Amianto, falta de árvores e excesso de velocidade em Tomar
A presença de detritos com amianto após a tempestade, a queda de árvores e o excesso de velocidade rodoviária marcaram a intervenção de uma munícipe na mais recente reunião do executivo da Câmara de Tomar. Presidente reconheceu a pertinência dos temas.
A munícipe Raquel Nunes levou à mais recente reunião do executivo da Câmara de Tomar um conjunto de preocupações relacionadas com as consequências da recente tempestade, destacando a presença de resíduos contendo amianto na via pública e a perda significativa de árvores. Levantou ainda questões sobre mobilidade e segurança rodoviária.
Relativamente ao amianto, a munícipe referiu ter observado “bocados de placas por todo o lado”, na sequência da destruição de telhados e telheiros em fibrocimento. Alertou para os riscos para a saúde pública e para a necessidade de uma resposta célere. Raquel Nunes manifestou ainda preocupação com a queda de inúmeras árvores, sublinhando o impacto que isso poderá ter no arrefecimento da cidade durante o Verão e na atractividade turística.
“Uma das razões pelas quais escolhi vir morar para Tomar foi a vegetação, o verde, o cuidado”, afirmou a cidadã, defendendo um maior investimento na área da agronomia e gestão do arvoredo urbano. Questionou se os serviços municipais dispõem dos recursos e conhecimento técnico suficientes para enfrentar um cenário de fenómenos atmosféricos extremos cada vez mais frequentes.
A munícipe apelou também à priorização das árvores face à criação de mais lugares de estacionamento, defendendo que a aposta no automóvel agrava o aquecimento urbano, enquanto o reforço da vegetação contribui para mitigar o problema. No que respeita à mobilidade, apontou situações de excesso de velocidade em várias artérias da cidade, destacando a Rua de Coimbra, que classificou como “uma autoestrada”. Chamou ainda a atenção para o risco enfrentado por jovens utilizadores de bicicletas partilhadas, nomeadamente na descida da Ponte do Flecheiro, defendendo a redução de velocidades e a criação de mais passadeiras.
Presidente admite oportunidade para repensar arvoredo urbano
O presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão (PSD), reconheceu a gravidade da situação relacionada com o amianto, considerando-a uma preocupação desde a “primeira hora” após a tempestade. O autarca recordou que o município emitiu recentemente um comunicado com informações e precauções sobre a substância, alertando a população para os cuidados a ter. Tiago Carrão sublinhou que a remoção de amianto tem de ser realizada por empresas credenciadas, revelando que a câmara já comunicou à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) a necessidade de agilizar o licenciamento de empresas, com o objectivo de acelerar o processo de remoção.
Quanto ao arvoredo, o presidente admitiu que os danos foram devastadores, dando como exemplo a Mata dos Sete Montes, onde “são às centenas as árvores caídas”. Ainda assim, considerou que a situação pode representar uma oportunidade para repensar o modelo de arvoredo urbano. “Temos que pensar nisso”, afirmou, reconhecendo a importância das árvores no arrefecimento da cidade, que descreveu como “muito quente” no Verão. O autarca adiantou que o tema não deverá ser estudado apenas internamente na câmara e que já existem algumas ideias em análise, embora tenha ressalvado que se trata de um trabalho de longo prazo, cujos resultados só serão visíveis “daqui a décadas”.

