Capela de São João Baptista em risco volta a preocupar no Entroncamento
Alerta foi deixado em reunião de câmara. Executivo promete avaliação técnica, depois de anos de diagnósticos sem obra feita num edifício com valor histórico para o concelho.
O estado de conservação da Capela de São João Baptista voltou à agenda política no Entroncamento, depois de a vereadora Maria João Grácio ter alertado o executivo municipal para a degradação do edifício religioso, na reunião de câmara de 3 de Fevereiro. O presidente Nelson Cunha garantiu que será enviada uma equipa técnica municipal ao local para avaliar as necessidades de intervenção.
A vereadora do PSD explicou que a preocupação lhe foi transmitida pelo padre Ricardo, que tem acompanhado a situação da capela, sublinhando que o problema não é novo. Segundo Maria João Grácio, já em executivos anteriores foram realizadas visitas técnicas ao edifício, tendo sido identificadas patologias, nomeadamente ao nível das paredes, sem que daí tenha resultado qualquer obra de recuperação, recordou a autarca, questionando se existe actualmente algum plano concreto para recuperar o imóvel, que considera não reunir as condições adequadas de conservação.
Em resposta, Nelson Cunha assegurou que os serviços municipais vão proceder a uma nova avaliação técnica do edifício, a partir da qual será definido o tipo de intervenção necessária. Só depois desse diagnóstico, acrescentou, será ponderada a respectiva dotação financeira para avançar com as obras.
A Capela de São João Baptista remonta ao século XVII e apresenta uma estrutura arquitectónica simples, composta por uma única nave, duas janelas laterais que iluminam o espaço interior e um sino suspenso num arco de volta perfeita, na parede lateral direita. Construída com o produto das esmolas dos moradores e de outros devotos, a capela teve um papel relevante na fixação de mão-de-obra agrícola associada à Quinta da Cardiga. A sua localização, junto à antiga estrada que ligava Lisboa a Coimbra e no entroncamento de vias para a Golegã, Torres Novas e Barquinha, contribuiu para a importância histórica do local, na transição entre a charneca dos montados a sul do Tejo e a planície agrícola a norte do rio. Um património com séculos de história que, agora, volta a aguardar por uma intervenção que trave a sua degradação.

