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Oposição no Sardoal alerta para atrasos nos pagamentos mas maioria fala em gestão de liquidez

Facturas de 2025 liquidadas em 2026, prazos médios acima dos 100 dias e pequenos empresários à espera quatro e cinco meses pelo dinheiro. Executivo garante que não há ilegalidades e aponta à gestão de liquidez.

Os atrasos nos pagamentos da Câmara Municipal do Sardoal voltaram a marcar o debate político, com o vereador do PS, Miguel Alves, a classificar a situação como “preocupante” e a enquadrá-la como uma “questão moral”, mais do que partidária. Na reunião do executivo realizada a 4 de Fevereiro, o socialista analisou o mapa de pagamentos disponibilizado pela autarquia e afirmou que os documentos revelam facturas emitidas em 2025 e pagas apenas em 2026, com prazos médios que, segundo diz, ultrapassam largamente os limites legais. “A lei obriga as entidades públicas a pagar a 30 dias, podendo, em situações excepcionais, chegar aos 60. O que vemos são pagamentos aos 90, 112 e até 125 dias, com uma média acima dos 100 dias. É totalmente diferente do que está previsto”, afirmou. Apesar de reconhecer que a situação já vem do mandato anterior, Miguel Alves sublinhou que “é o mesmo partido, é a mesma governação, e isso é indissociável”, afastando, ainda assim, uma responsabilização exclusiva do actual executivo. Miguel Alves alertou ainda para consequências directas no tecido económico local, nomeadamente dificuldades no pagamento de salários, no cumprimento de obrigações à Segurança Social e no recurso ao crédito para colmatar falhas de tesouraria, admitindo o risco de “perda de confiança na câmara municipal”.
O presidente da autarquia, Pedro Rosa, reconheceu que a situação “não agrada”, adiantando que o tema já foi discutido com os serviços financeiros. Ainda assim, garantiu que o município “não se encontra em incumprimento legal nos pagamentos efectuados”. O autarca explicou que a gestão dos pagamentos está condicionada pela liquidez disponível e que as decisões são ponderadas logo no momento da aquisição. “Salvo raras excepções, as compras são feitas após análise prévia sobre se existem condições para pagar dentro dos prazos”, afirmou, acrescentando que a sua opção política não pode comprometer a saúde financeira do município. Relativamente às associações com transferências mensais previamente estipuladas, Pedro Rosa assegurou que os pagamentos são feitos de forma regular e imediata, não entrando no circuito normal. O presidente disse não ter conhecimento de perda de confiança por parte dos fornecedores, embora admita que existe “muito caminho a fazer” na redução dos prazos médios de pagamento, reforçando a importância de preservar a relação com o tecido económico local.

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