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“Sempre fui um apaixonado pelo que faço e pelos automóveis”

“Sempre fui um apaixonado pelo que faço e pelos automóveis”

Joaquim Fradique é um dos gerentes da Auto-Reparadora Bragadense

Edição de 19.01.2017 | Identidade Profissional

Tem 61 anos e juntamente com o tio, Manuel Quiteres, gere a Auto-Reparadora Bragadense, oficina multimarcas situada nas Bragadas, Póvoa de Santa Iria. A honestidade é um valor que para si não tem preço e ajuda a explicar o sucesso do negócio.

Ser honesto consigo mesmo e com os clientes é uma das razões para o sucesso do negócio de Joaquim Fradique, 61 anos, um dos gerentes da Auto Reparadora Bragadense, situada nas Bragadas, Póvoa de Santa Iria, concelho de Vila Franca de Xira. Joaquim partilha a gerência do negócio com o tio, Manuel Quiteres.
Aberta ao público a 1 de Setembro de 1981, a Auto Reparadora Bragadense é uma oficina que presta serviço multimarcas para automóveis, incluindo mecânica, trabalhos de chapa, pintura, electricidade e estofador. Em suma, tudo o que se pode e deve fazer num automóvel, a oficina de Joaquim Fradique está à altura do desafio. É natural de Atalaia do Campo, concelho do Fundão, distrito de Castelo Branco, mas está radicado nas Bragadas há tantos anos que diz sem qualquer receio que essa é a sua terra e não esconde o orgulho de viver e trabalhar naquela zona do concelho vilafranquense.
“Sou filho das Bragadas e o meu filho nasceu aqui. É a minha terra. Só gostava de ver aqui mais coisas, o clube mais desenvolvido e o parque infantil bem cuidado e conservado, que actualmente está ao abandono”, lamenta. Joaquim veio para Lisboa com os pais quando tinha 13 anos. “Eles vieram trabalhar para a Quinta da Piedade que era só agricultura, a Póvoa de Santa Iria naquele tempo só existia da estrada nacional para baixo. Não havia todos os prédios que há hoje aqui em cima”, recorda a O MIRANTE.
Com 13 anos foi trabalhar para uma oficina em Lisboa e ganhava 20 escudos por dia (10 cêntimos em euros). Mas desse dinheiro, gastava 15 escudos nos bilhetes de comboio para poder ir trabalhar. “Sobravam-me cinco escudos para o cinema”, conta com um sorriso mas sem esconder que era uma vida difícil.
“Estive sempre ligado ao ramo dos automóveis e só fiz um interregno de 1974 a 1981, quando me inscrevi no depósito da Força Aérea de Alverca para não ir ao Ultramar. Quem ia sujeitava-se a morrer. Depois achei que era altura de fazer algo por mim e decidi, com o apoio da família, abrir a oficina”, conta. Desde então o negócio não parou de crescer.
Joaquim Fradique confessa-se um apaixonado por automóveis que é também viciado em trabalho. “E quando não tenho trabalho invento”, garante. “Sou o mais honesto possível com os meus clientes e não trabalho sem orçamentos porque assim o cliente sabe exactamente quanto vai custar determinada reparação. Não dou preços a olho e outro valor de que não abdico é a pontualidade. Se combinamos uma hora gosto de ter o carro pronto a essa hora, ou antes se possível”, explica.
O campo como escape
A vida de Joaquim é passada na oficina e os poucos tempos livres que tem ocupa-os numa quinta que possui em Foros de Salvaterra, onde cria animais e árvores de fruto. O campo é o seu escape para os desafios do dia-a-dia. Nunca sai da oficina antes das 20h00 nem antes do último empregado sair. Joaquim gosta de automóveis e garante que a mecânica é apaixonante, mas não tanto como os carros de outros tempos. “A electrónica veio complicar muito mais a mecânica e todos os dias os softwares são diferentes. Temos de estar sempre actualizados e hoje uma máquina para fazer um diagnóstico electrónico custa uns 50 mil ou uns 100 mil euros, o que é um valor considerável”, lamenta.
Diz que antigamente os carros eram feitos para durar e que hoje isso já não acontece. “Os carros hoje facilmente correm o risco de terem reparações que podem em alguns casos ultrapassar o valor do carro. Injecções, turbos ou centralinas, é tudo material caro. Com as novas tecnologias um carro ao fim de 7 ou 8 anos está em fim de vida”, lamenta.
O empresário nota que a crise ainda não passou mas que a situação melhorou bastante. O cliente “já não pede só o mínimo” e já se preocupa mais em fazer uma manutenção cuidada dos seus veículos, o que acaba por ser bastante importante em termos de segurança.

“Sempre fui um apaixonado pelo que faço e pelos automóveis”

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