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22/08/2017
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Mário Albuquerque acusa Paulo Fonseca de leviandade, falsidade e deslealdade

Antigo presidente da Câmara de Ourém desmente o actual líder da autarquia que, na última sessão da assembleia municipal, disse que em 1994 houve uma perda de mandato na autarquia. O que não aconteceu.

Edição de 08.03.2017 | Política

O antigo presidente da Câmara Municipal de Ourém, Mário Albuquerque (PSD), mostrou-se “estupefacto” com as declarações do actual presidente do município, Paulo Fonseca (PS), que na última sessão da assembleia municipal, realizada a 24 de Fevereiro, disse que “já houve uma perda de mandato, em 1994, curiosamente a propósito da vinda de um Papa até nós. Mas isso não voltará a acontecer porque acredito que ainda há justiça em Portugal”.
Paulo Fonseca falava sobre a condenação do seu vice-presidente, Nazareno do Carmo, a um ano e oito meses de pena suspensa e perda de mandato autárquico por ter enviado uma carta em 2011 a empresas locais a pedir apoio financeiro para o Centro Desportivo de Fátima, do qual era presidente da assembleia-geral. Mário Albuquerque exigiu, na sua página pessoal da rede social facebook, que Paulo Fonseca se retracte das declarações proferidas.
No ano a que Paulo Fonseca se referiu era presidente da Câmara de Ourém Mário Albuquerque. No entanto, o antigo professor nunca perdeu o mandato tendo saído, por vontade própria, em 1995, para a Assembleia da República, onde foi deputado, como referiu em entrevista a O MIRANTE publicada em Novembro de 2010.
“O senhor presidente da câmara, Paulo Fonseca, logo corroborado pelo senhor António Gameiro [deputado municipal e líder da distrital socialista], afirmou em plena assembleia municipal que eu próprio, enquanto presidente do município, havia perdido o meu mandato em 1994. Nada mais leviano, falso e desleal porquanto tal nunca aconteceu como, aliás, será facilmente comprovado”, referiu o antigo professor, ex-governador civil e ex-deputado.

Obras sem visto do Tribunal de Contas valeram multa
Mário Albuquerque explicou que foi a tribunal devido à obra de colocação de esgotos na Avenida Beato Nuno, em Fátima, sem que o processo de obras tivesse passado pelo crivo do Tribunal de Contas, como devia. “A vinda do Papa João Paulo II aproximava-se e já não sobrava muito tempo para burocracias, o que foi tudo explicado na altura. Estava em causa a dignificação de Fátima, do concelho e do país, uma vez que o funcionamento daquela avenida tornava-se imprescindível ao escoamento e fluidez do trânsito”, recordou, acrescentando que foi condenado a uma pena correspondente a uma multa que acabou por ser abrangida por uma amnistia.
Mário Albuquerque exigiu, na sua publicação no facebook, que Paulo Fonseca comprove o que afirmou com a “possível brevidade, em nome da honra e do bom nome, a que me julgo com direito”. E acrescentou: “Se tivesse perdido o meu mandato por decisão judicial não estaria nem mais um minuto na cadeira da presidência da câmara, pelo menos até que os eventuais recursos fossem concluídos. Não posso pactuar com a mentira, embora compreenda que esta possa fazer jeito a alguns”.

Paulo Fonseca fugiu ao assunto
Também o vereador Luís Albuquerque, da Coligação Ourém Sempre (PSD/CDS), filho de Mário Albuquerque, exigiu saber, na última reunião de câmara, o que o presidente do município, Paulo Fonseca (PS), quis dizer com aquela afirmação.
Questionado pelo vereador da oposição, Fonseca fugiu ao assunto e disse “não se lembrar” de ter proferido a afirmação “nesses termos” e recordou que nessa altura, em 1994, escreveu um artigo num jornal local onde, diz, considerava uma injustiça o que estava a acontecer. “O senhor não pode dizer agora que não disse o que disse. Todos ouvimos na assembleia municipal. Não pode fazer acusações falsas”, criticou o vereador social-democrata.

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