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“Flor de Chá” são um oásis de memória da música tradicional portuguesa
AMIZADE. Actuações do grupo não têm parado de crescer nos últimos anos bem como o reportório usado

“Flor de Chá” são um oásis de memória da música tradicional portuguesa

Grupo da Póvoa de Santa Iria faz a recolha de temas e letras antigas intimamente ligadas à tradição e à história quer do concelho de Vila Franca de Xira quer das restantes regiões do país. Um grupo bem-disposto e animado com uma paixão em comum: a música.

Edição de 25.10.2017 | Sociedade

Na Póvoa de Santa Iria existe um grupo musical do Grémio Dramático Povoense, chamado Flor de Chá, que se dedica a recolher, preservar e interpretar canções tradicionais portuguesas e da região. É um “oásis de memória”, dedicado a manter vivos os sons que são o símbolo de um povo, concelho e região.
António Porteira e José Ferreira são dois dos membros do grupo, que integra ao todo 12 pessoas, tudo gente do concelho de Vila Franca de Xira. “Preocupamo-nos em apresentar com qualidade canções que não são muito tocadas. Isso obrigou-nos a fazer muita recolha dentro do que é tradicional e único”, explica António Porteira a
O MIRANTE.
Apesar de terem música do seu concelho e do Ribatejo, o reportório vai mais além, até às Beiras, Minho, Alentejo, Algarve e ilhas. “No concelho e no Ribatejo as músicas tradicionais são mais difíceis de encontrar, não são muitas e não estão tão bem identificadas como nas outras regiões. Tirando o fandango, que é muito identificado com o Ribatejo”, explicam.
Numa cidade como a Póvoa de Santa Iria, às portas de Lisboa, tocar música tradicional de outros tempos parece um anacronismo mas os Flor de Chá garantem que nunca, como agora, fez tanto sentido preservar a memória. “A Póvoa é uma cidade que cada vez tem menos gente natural daqui. É um dormitório e tem sido invadida, no bom sentido, por gente de fora e foi crescendo muito. O que nós tentamos fazer é preservar a memória da nossa terra. E se não formos nós corre-se o risco de perdermos a nossa memória e identidade e sermos apenas mais uma terra no mapa”, confessa José Ferreira.

Grupo nascido na universidade sénior
Os jovens, já se sabe, não apreciam muito a música do grupo mas a partir da meia-idade fica no ouvido. O MIRANTE ouviu e as notas saíram todas na perfeição, numa harmonia de acordes invulgar num grupo nascido, note-se, na universidade sénior da Póvoa.
“Este grupo começou na universidade sénior, o António era a pessoa responsável pelas aulas de informática, eu andava a aprender cavaquinho e um dia, em conversa, começámos a ir para uma garagem tocar os dois. Vimos que as coisas tinham pernas para andar, convidámos outros elementos e fomos crescendo. A ideia era ser um grupo que representasse a universidade sénior da Póvoa mas isso não chegou a acontecer. Oficialmente nascemos a 5 de Outubro de 2011”, recorda José Ferreira.
Quando os responsáveis da universidade não quiseram mais o grupo nas instalações, Rui Benavente, o anterior presidente do Grémio, acolheu-os na associação, vendo já o potencial que representavam para a cultura da cidade. O nome – Flor de Chá – deriva de uma das primeiras músicas que tocaram.
A música, dizem, é uma paixão em comum e são todos como uma grande família. Apesar dos apoios reduzidos o trabalho não tem parado e as actuações têm crescido todos os anos. Viajam a expensas próprias por amor à arte. “Temos ido a muitos locais e a união do grupo tem sido fantástica. Infelizmente a Póvoa ainda não olha para nós como devia. Ao Forte da Casa já fomos duas vezes mas às festas da Póvoa só uma vez, há quatro anos, e nunca mais fomos convidados. Gostávamos de tocar mais na nossa cidade”, apela José Ferreira.
Para Jorge Feliciano, actual presidente do Grémio Povoense, os Flor de Chá são “muito importantes” pelo trabalho de recolha e preservação que fazem da música tradicional. “É o único grupo de música popular da cidade. O Grémio tem 128 anos e por isso a memória é uma parte importante da nossa história. O trabalho que eles fazem de recolha de músicas e letras de tradição portuguesa e raiz concelhia é muito importante”, conclui.

Os doze magníficos

Os Flor de Chá são compostos por Manuel Neves (órgão), Armando Casquinha (bateria), Afonso Mendonça (baixo), Manuel Martins (viola), António Tomé (viola baixo), Jaime Alves (solista), António Porteira (bandolim), José Ferreira (cavaquinho), Eliseu (canto e viola), Francisco Pimentel (cavaquinho e voz) e, nas vozes, Madalena Pereira e Rosa Assunção.

“Flor de Chá” são um oásis de memória da música tradicional portuguesa

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