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“No café do meu pai os toiros entravam por uma porta e saíam por outra”

“No café do meu pai os toiros entravam por uma porta e saíam por outra”

João Range, 59 anos, presidente da Associação Empresarial de Vila Franca de Xira e Arruda dos Vinhos

Edição de 09.08.2018 | Três Dimensões

João Range, “nascido, criado e vivido” em Vila Franca de Xira, diz ser um homem discreto que não gosta muito de falar sobre a sua vida pessoal mas aceitou abrir uma excepção para O MIRANTE. Na infância ajudava o pai num talho e depois num café que ele teve na cidade. Gosta de toiros, de cozinhar e tira-o do sério a desonestidade e a falta de competência.

Quem me conhece sabe que sempre pensei ter um negócio na área da restauração e hotelaria. O meu passatempo favorito é a gastronomia. Gosto de comer e de cozinhar. Acho que não me saio mal mas as pessoas que comem o que faço é que poderão dizer se sou ou não um bom cozinheiro (risos). Gosto de pratos com arroz e só uso arroz carolino. Para mim um dos pratos de que mais gosto é arroz de cabidela.

O meu negócio continua a ser a prestação de serviços. Sou vilafranquense, nasci com os toiros e por isso gosto muito. No café do meu pai os toiros entravam por uma porta e saíam pela outra. Acho que a ideia da câmara municipal em candidatar as festas do Colete Encarnado a património cultural e imaterial é uma boa ideia. A festa taurina merece ser considerada. Vila Franca de Xira em termos nacionais é a região taurina que tem mais relevância.

O período em que necessito de ter mais pausas é no Verão. Não me importa muito o mês em que tenho férias, na generalidade é-me indiferente, mas têm de ser no Verão. Prefiro o calor ao frio. A minha viagem de sonho está programada com uma pessoa. Não é uma viagem no sentido de vir a descobrir o destino, porque é um destino de que gosto particularmente.

Nunca fui pessoa de me envolver em actividades radicais mas já andei numa montanha russa. Confesso que senti medo na montanha russa mas tenho mais medo da profundidade. Também tenho mais medo de precipícios do que do escuro. O meu maior sonho na vida é ser feliz. Acredito que concretizar os sonhos é relativamente fácil mas temos que saber escolher os sonhos. Seja como for há sempre dificuldades a ultrapassar.

Sou uma pessoa calma e não há muita coisa que me tire do sério. Talvez a falta de competência profissional e a desonestidade. No mundo dos negócios a dedicação e a preserverança são fundamentais. Sem esses dois valores a pessoa não vai lá. A honestidade não entra muito no negócio, presume-se que essa deve ser parte da vida das pessoas, agora a preserverança e a ideia de nunca desistir são fundamentais.

Nasci à beira do mercado municipal. A minha infância foi passada no rio Tejo, no cais e junto à linha de comboio. Foi uma infância muito feliz com muito boas memórias. O meu pai é que talvez não gostasse muito porque passava os dias a jogar à bola na rua e estragava os sapatos (risos). E às vezes ainda partia umas montras. O meu pai foi comerciante. Começou com um talho e depois tinha um café em frente à antiga lota. E eu nos tempos livres ajudava, umas vezes obrigado e outras por prazer.

Este é o quarto ano em que estou à frente da ACIS. A associação mudou e melhorou as suas instalações para receber os sócios, tem vários projectos em andamento, alguns já terminados, que têm como objectivo satisfazer as necessidades das empresas. Durante este tempo houve investimentos por parte das empresas em muitas centenas de milhares de euros que foram objecto de financiamento por parte de programas geridos pela associação, desde programas de qualificação e internacionalização passando pelo empreendedorismo. Somos das principais senão a principal associação da nossa região a trabalhar o empreendedorismo, com programas de apoio à criação de emprego e negócios.

Há muitas pessoas que querem criar empresas. Há um renascimento da actividade económica na região, um empreendedorismo latente nas pessoas para criarem o seu negócio, de há dois anos para cá. Mesmo sem apoios comunitários ou outros.

Costumo dizer a todos os empreendedores que querem montar um negócio que o ponto forte de um negócio é a pessoa. Mas se não tiverem cuidado também pode a pessoa ser um ponto fraco. Isso quer dizer que se a pessoa se sentir verdadeiramente apaixonada e motivada para fazer um negócio deve fazê-lo. As pessoas devem acreditar nelas próprias.

Hoje em dia os negócios devem ter horários adaptados aos clientes. As actividades económicas são privadas e cada um deve decidir que horário deve ter mas se querem ter clientes devem saber qual a sua disponibilidade para ir às compras. Se tenho a porta fechada quando os clientes têm tempo disponível para ir às compras, tenho que me ajustar. O problema é meu e tenho que ser eu a resolvê-lo.

“No café do meu pai os toiros entravam por uma porta e saíam por outra”

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