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Assoberbado Manuel Serra d’Aire 

Assoberbado Manuel Serra d’Aire 

Edição de 12.12.2018 | Emails do Outro Mundo

Os meus filhos andam a pedinchar-me há que tempos para comprar um cão para animar o apartamento, que pelos vistos consideram o local demasiado pacato e parado. Tenho resistido às investidas da rapaziada com reviengas bem ao jeito do nosso primeiro-ministro António Costa, que para se esquivar aos assuntos mais delicados tem tanta habilidade como o Cristiano Ronaldo a meter golos. Apesar da relutância, e com a aproximação da quadra natalícia que nos torna mais lamechas, comecei a cogitar: e por que não? Afinal de contas, ter um cão num apartamento é hoje tão comum como um casal ter filhos e não há-de vir daí mal ao mundo.
Andava eu a pensar com os meus botões sobre a marca e o volume do bicho que iria perfilhar – não convém pôr entre quatro paredes um serra da Estrela ou um pastor alemão, sob risco de se ver a casa escavacada em três tempos – quando soube da existência do IRA. Não o IRA que conhecemos há umas décadas, dos atentados, das greves de fome, da luta contra os britânicos na Irlanda, mas sim um IRA com base na nossa capital e que, segundo rezam as crónicas, efectua raides agressivos para resgatar animais (irracionais) vítimas de maus tratos.
Aí o meu instinto activou as campainhas de alarme. Mais dia menos dia, um vizinho mais exigente e fundamentalista que achasse que eu não cumpria convenientemente os meus deveres paternais para com o animal – como, por exemplo, não lhe dar picanha argentina às refeições - podia chibar-me ao IRA e eu podia ver-me a contas com um bando de jagunços encapuzados tipo Juve Leo que me davam um arraial de porrada e levavam o bicho com eles. Decidi pôr ponto final no assunto e já disse à rapaziada que se querem animais comprem um tamagotchi ou arranjem emprego no jardim zoológico.
Imarcescível Manuel Serra d’Aire, eu já era admirador profundo das capacidades do deputado do PSD Duarte Marques em se desdobrar em múltiplas facetas. Ele intervém no plenário da Assembleia da República, ele faz perguntas a ministros, ele denuncia problemas da região, ele escreve nos jornais, ele comenta na TV, ele puxa pelo Benfica, ele chama nomes ao Governo e ainda tem tempo para alimentar as redes sociais e, segundo consta, para dormir.
Daí não ter ficado admirado quando veio agora a lume de que o jovem político de Mação conseguiu a façanha, só ao alcance de alguns predestinados, de ter entrado no seu computador no plenário da Assembleia da República a 4 de Maio de 2017, estando, ao mesmo tempo, numa conferência no Porto com Pedro Passos Coelho. Eu já desconfiava que Duarte Marques possuía o dom da ubiquidade. E até me sopraram aos ouvidos que já o viram a caminhar sobre as águas do Tejo na Ortiga. Acredite quem quiser…
Estamos quase no Natal e este ano fomos invadidos pelas pistas de gelo, que proliferam pelo Ribatejo como pinguins na Antártida. Pelos vistos querem meter-nos os patins e, por este andar, se a moda pega, o hóquei em patins perde a preponderância para o hóquei no gelo e ainda vamos ter campeões olímpicos de patinagem artística.
Um abraço quebra-ossos do
Serafim das Neves

Assoberbado Manuel Serra d’Aire 

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