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A SIDA continua a ser uma doença traiçoeira
Alfredo Calado, da associação Picapau diz que a SIDA é um assunto que deixa as pessoas desconfortáveis

A SIDA continua a ser uma doença traiçoeira

Edição de 12.12.2018 | Sociedade

O Dia Mundial de Luta Contra a Sida comemora-se há 30 anos, a 1 de Dezembro. Este ano decorreu sob o lema “Conhece o teu estado”, num claro incentivo a que se faça o teste do VIH, combatendo o medo, o estigma e a discriminação mas também para que a taxa de sucesso no tratamento da doença seja mais elevada.
O VIH/SIDA surge muitas vezes associado à toxicodependência, por isso
O MIRANTE falou com Alfredo Calado, director-geral da associação Picapau, na Póvoa da Isenta, Santarém, que confirmou a presença de quatro seropositivos entre os 14 indivíduos actualmente internados naquela Instituição Particular de Solidariedade Social, criada em 1993 com a missão de combater a toxicodependência, a pobreza e a exclusão social.
“São indivíduos que têm mais de 30 anos e cujo contágio surgiu associado ao consumo de heroína”, refere o conselheiro na área da adição, acrescentando que os casos já chegam diagnosticados, uma vez que são reencaminhados pelos diversos Centros de Atendimento a Toxicodependentes (CAT) a nível nacional. “Temos uma excelente relação com o Hospital Distrital de Santarém, onde a marcação de consultas é facilitada e o acompanhamento dos utentes ocorre sem sobressaltos”.
Responsável por uma instituição onde coabitam e convivem pessoas portadoras e não portadoras da doença, diz que não há problemas entre elas, apesar de reconhecer que mesmo havendo cada vez mais informação sobre a doença ela ainda é um assunto que deixa as pessoas desconfortáveis.
“Lembro-me de um caso caricato. Aqui há uns anos tivemos uma jovem toxicodependente cá internada e os pais não queriam que tomasse banho na piscina para não correr o risco de apanhar sida”.

Das cinco mil seringas trocadas em Almeirim e Santarém para quase nenhuma
Apesar de as formas de transmissão do VIH e prevenção da infecção serem bem conhecidas pela população em geral, muitas pessoas continuam a manifestar comportamentos de risco. Segundo Alfredo Calado “baixou-se a guarda” o que pode, de alguma forma, justificar os números divulgados na última semana pelo relatório conjunto da Direcção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa) que falam em 1068 novos casos de infecção, em 2017 e que colocam Portugal entre os países da União Europeia com uma das taxas mais elevadas de pessoas infectadas.
Em trinta e cinco anos, foram identificados quase 58 mil casos em território nacional.
Em 98,1% dos casos a transmissão ocorreu por via sexual, com 59,9% a referirem contacto heterossexual. Os casos em homens que fazem sexo com homens corresponderam a 51,0% dos casos diagnosticados de sexo masculino e apresentaram uma idade média de 32 anos.
As infecções associadas ao consumo de drogas injectadas constituíram 1,8% dos novos diagnósticos em que é conhecida a via de transmissão. Em 2017 atingiu-se um “mínimo histórico” de casos de infecção em utilizadores de drogas injectáveis (18, no total).
Alfredo Calado confirma-nos esta tendência, enfatizando os programas de redução de riscos e minimização de danos, nomeadamente de troca de seringas. “Felizmente a heroína já não está na moda e, se há cinco anos as equipas de rua do Picapau distribuíam cerca de 5 mil seringas por mês, em Santarém e em Almeirim, hoje há meses que não distribuímos uma única”, remata.

Só para relembrar

A SIDA (Síndroma de Imunodeficiência Adquirida) ou VIH (Vírus da Imunodeficiência Humana) foi descoberta em 1981 e já matou mais de 30 milhões de pessoas em todo o mundo.
O VIH ataca o sistema imunológico e enfraquece-o. A infecção torna o sistema imunológico deficiente e baixa as defesas da pessoa infectada, que se torna alvo fácil de outras doenças.
As relações sexuais desprotegidas, o contacto com sangue infectado e a passagem de mãe para filho, quer durante a gravidez quer através do parto ou da amamentação, são as três formas conhecidas de contágio do VIH/SIDA.

A SIDA continua a ser uma doença traiçoeira

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