Carla Andrade
Formadora de Desenvolvimento Profissional, Cisco Systems, São João dos Montes
Do que sente mais saudades?
Dos passeios pelo campo em criança sem as preocupações das tecnologias e das responsabilidades de ser adulta. Poder ler os meus livros horas a fio e imaginar os mundos maravilhosos que eles retratavam.
A beleza é fundamental?
Para mim a alma é a beleza interior, o que temos de mais precioso e único. Cada um é um ser feito de tudo o que viveu e do contacto com as pessoas que passaram pelas nossas vidas, marcando de forma singular o nosso percurso.
Já alguma vez teve de mudar um pneu do carro?
Sim, a primeira vez foi numa aula de condução, porque o instrutor já tinha uma certa idade.
A que petisco não resiste?
Caracóis. É algo que junta os amigos à volta da mesa, bebidas frescas e conversa da boa.
Alguma vez escreveu um poema? Era dedicado a alguém?
Quando era mais jovem, escrevi sim, e como todas as raparigas, foi dedicado à pessoa que achava que era o amor da minha vida (ah, ah, ah).
Já aderiu à moda de correr ou caminhar pelas ruas?
Faço caminhadas para me manter activa. Na família existem muitos problemas relacionados com tensão alta e diabetes, mas o que começou por obrigação agora é prazer. Já estou inscrita na minha segunda caminhada de 5 quilómetros, nos últimos 2 meses.
Qual foi a melhor viagem (ou passeio) que fez até hoje?
Conhecer Cabo Verde, a Ilha do Fogo. Foi ver um vulcão activo, de perto, mergulhar no mar… a comida, cachupa, peixe e marisco fresco todos os dias. O calor das pessoas que nos tratam como se fôssemos da casa e nos convidam para sentar e conversar.
Em quantas localidades viveu até agora, desde que nasceu? Foi bom ou mau?
Já vivi em mais de 10 localidades dentro e fora de Portugal, mas nada se compara a voltar para Portugal e sentir o nosso clima. Aprendi muito, sim, mas o meu coração sente saudades.
Se pudesse encarnar uma personagem por um dia, qual escolheria?
Claire Fraser. Viajou no tempo, apesar de todas as restrições da época, lutou para um mundo melhor e colocou os conhecimentos médicos que tinha em prática para salvar vidas.
Alguma vez pensou escrever um livro? E se escrevesse um, escrevia sobre que assunto?
Se escrevesse um livro a sério, seria um romance num mundo que não existe.
Com que idade é que acha que se vai reformar?
Eu gostava de me reformar aos 55, para poder viajar e conhecer outras culturas.
Quando é que tem ciúmes? O que é isso dos ciúmes?
Os ciúmes são quando a insegurança nos leva a duvidar do nosso valor.
O que é que lhe provoca um sono irresistível?
Estudar filosofia. Descartes, então… era certinho.
Este mundo está perdido?
Não, as pessoas devem estar mais atentas ao facto de que não temos outros recursos para além dos que temos.
Há alguma coisa pela qual ainda valha a pena lutar até à morte se necessário for?
O amor. Acredito que apenas o amor nos leva a ser seres mais conscientes e menos egoístas.
Qual é o seu truque para manter a calma perante um imprevisto?
Respirar e não me esquecer que tudo na vida faz parte do processo e nada dura para sempre. Há que valorizar os bons momentos e ter paciência e coragem nos maus.
Tem alguma superstição, ou hábito regular?
Tenho o hábito de rezar o terço em família, e qualquer carro que compre levo-o ao Santuário de Fátima, sem excepção.
Subscrevia uma proposta para termos outro hino nacional?
Não, o nosso hino reflecte a nossa história e devemos lembrar a história para que ela não se repita.
Concorda que os políticos usem o Facebook para responderem aos críticos?
A liberdade de expressão é um direito que nós conquistámos.
Sabe o nome do seu médico de família? Há quanto tempo não o vê?
Sei quem é a minha médica. Não a vejo há uns anos, mas faço exames regulares no particular devido a complicações de saúde.
Alguma vez deu sangue?
Ainda não. Durante muitos anos fui anémica, mas agora estou a recuperar.
Qual é a tradição que nunca podemos deixar morrer?
Natal em família. Juntarmo-nos todos e cada um trazer algo para partilhar, ver as crianças abrirem as prendas e relembrar todos os que estão longe, bem como coisas engraçadas que fizemos nos últimos tempos.
Se o Pai Natal lhe desse a escolher um presente para oferecer à sua terra, o que escolhia?
Paz. Que Portugal se mantenha longe da guerra, que o nosso povo esteja protegido das maldades que temos à volta.


