Ernestino Pombas Caniço
Médico - Agência Carreira (Tomar) e Associação Montepio Nossa Senhora da Nazaré (Torres Novas)
Do que sente mais saudades?
Dos tempos de estudante em Coimbra. O encanto mágico do ambiente vivido.
A beleza é fundamental?
Nem sempre, mas é um factor relevante.
Quando está a almoçar ou a jantar com a família ou amigos e há alguém que passa o tempo a consultar o telemóvel, isso incomoda-o?
Sim, perde-se a socialização. Confesso que me irrita.
A que petisco não resiste?
Resisto a qualquer um se assim o entender, embora com dificuldade a chanfana e sopa da pedra.
Alguma vez escreveu um poema?
Não me lembro de nenhum relevante. Escrevo regularmente artigos documentados para o blogue (Luís Graça & camaradas da Guiné) dos ex-combatentes da Guiné.
É aficionado de tauromaquia?
Não sou aficionado, embora tenha sido forcado do grupo de forcados do Colégio Nuno Álvares de Tomar. Era a irreverência e o fascínio pela tentativa de domínio do touro. Hoje não o voltaria a fazer.
Verão é tempo de festas populares. Quais as festas a que não falta?
Não aprecio festas populares. Não suporto o ruído, provavelmente consequência da guerra na Guiné.
Costuma fazer caminhadas? Acha que é uma moda, ou as pessoas estão a aderir a um estilo de vida mais saudável?
Desde novo pratiquei atletismo. Nos tempos que correm apenas faço caminhadas, por gosto e por ser saudável. Penso que as pessoas estão mais consciencializadas para aderir a um estilo de vida saudável… que deve ser praticado com regularidade.
É adepto de algum clube? Qual foi a maior “loucura” que fez pelo seu clube?
Fui adepto da Académica de Coimbra e fui sócio do Benfica, que deixei quando fui para a guerra. Loucuras? Talvez o acompanhamento da Académica por todo o país, enquanto estudante.
Se vir alguém deitar lixo para o chão diz-lhe alguma coisa? Que resposta costuma receber?
Nem sempre. Provavelmente o QI baixo não assimilaria. Mas é, no mínimo, uma falta de civismo.
Qual foi a melhor viagem (ou passeio) que fez até hoje?
As melhores viagens são as que me permitem conduzir. Detesto avião, após experiência traumática na guerra, com a sensação de desviver.
Em quantas localidades viveu até agora, desde que nasceu? Foi bom ou mau?
Vivi em quatro localidades por exigência de formação e actividade profissional. Em todas houve prós e contras, destacando Tomar pela sua beleza e Coimbra, que ficou na alma.
Alguma vez pensou escrever um livro? E se escrevesse um, escrevia sobre que assunto?
Sim, várias vezes, mas o tempo livre é limitado e surgem por vezes outras prioridades. Escreveria sobre as minhas funções como director, director clínico e presidente do conselho de administração do Hospital de Tomar, nos seis anos que as exerci (relevando a humanização e as limitações financeiras e de recursos humanos).
Costuma dar dinheiro a pessoas que pedem na rua?
Sim, quase sempre. Na dúvida, pode ser sempre útil a alguém.
Quando tem ciúmes?
Em situações diversificadas em que tento controlar as emoções com frieza QB, sendo uma mistura de vários sentimentos.
Este mundo está perdido?
Não, não está perdido. Está em constante transformação. A resiliência humana assim o prova. Os conflitos têm características próprias de cada época. A tendência social é para relevar os aspectos negativos, nomeadamente a guerra ou os problemas ambientais, cujos impactos e/ou impactes são sobrepostos, por exemplo, pelo aumento da esperança de vida.
Há alguma coisa pela qual ainda valha a pena lutar até à morte se necessário for?
Não vale a pena, a morte já está garantida.
Quais as qualidades que mais aprecia numa pessoa?
Honestidade.
Qual é o seu truque para manter a calma perante um imprevisto?
Domínio adquirido. Controlo necessário para a melhor solução possível.
Tem alguma superstição, ou hábito regular?
Não tenho nenhuma superstição. Tenho o hábito regular, positivo, de fazer exercício físico.
Concorda que os políticos usem o Facebook para responderem aos críticos?
Não, isso permite escapar a alguns filtros.
Alguma vez deu sangue?
Nunca dei, por inoportunidade ou adiamentos sucessivos. No entanto exerci consultas no serviço de sangue do Centro Hospitalar do Médio Tejo, durante oito anos.
Qual a tradição que nunca podemos deixar morrer?
Património cultural, nomeadamente o fado.
Se o Pai Natal lhe desse a escolher um presente para oferecer a sua terra o que escolhia?
Um arquivo digital de memórias.


