Agora Falo Eu | 14-10-2026 07:00

Emerson Coutinho da Silva

Emerson Coutinho da Silva
- foto DR

Educador social, HeartBravery – Associação Arte Cultura, Vila Franca de Xira

Do que sente mais saudades?
Dos meus pais. Estamos muito longe, separados por um oceano.
A beleza é fundamental?
A beleza que mais admiro é a da natureza. E essa basta-me.
Quando está a almoçar ou a jantar com a família ou amigos e há alguém que passa o tempo a consultar o telemóvel, isso incomoda-o?
Não, de todo, porque às vezes também estou de serviço e preciso de fazer o mesmo.
A que petisco não resiste?
Gambas com azeite e alho, acompanhadas de um bom pedaço de pão para molhar no molho. Além de ser delicioso, traz-me muitas memórias de uma época em que vivi no Rio de Janeiro. Há ali uma boa dose de nostalgia.
Alguma vez escreveu um poema? Era dedicado a alguém?
Já escrevi muitos. De uma forma ou de outra, quase todos acabam por ser dedicados aos meus ancestrais.
Gosta de touradas?
Não, mas respeito as tradições.
Costuma caminhar ou correr pelas ruas?
Corro desde criança e tenho o sonho de um dia fazer uma maratona. Não vejo isso propriamente como uma moda, mas como uma forma de exercitar o corpo e aproveitar bem o tempo. Se puder correr junto a um rio ou na praia, melhor ainda. E a corrida também me tem proporcionado algo muito importante: conhecer pessoas e fazer amigos.
É adepto de algum clube? Qual foi a maior “loucura” que fez pelo seu clube?
Gosto do Corinthians, mas nunca fiz nenhuma loucura por um clube. Gosto de futebol sem perder a noção das coisas.
Se vir alguém deitar lixo para o chão diz-lhe alguma coisa? Que resposta costuma receber?
Procuro não agir por impulso. Se a situação for grave, prefiro registar e denunciar pelas vias adequadas. Sendo estrangeiro, aprendi a ter algum cuidado na forma como intervenho em determinadas situações.
Qual foi a melhor viagem, ou passeio, que fez até hoje?
Roma. Era uma cidade que sonhava conhecer desde criança. Foi marcante pelo conhecimento, emocionante pela arte que tive o privilégio de ver, ouvir e sentir, e inesquecível também pela gastronomia.
Em quantos locais viveu até agora, desde que nasceu? Foi bom ou mau?
Já perdi a conta. Mas destacaria as experiências na Suíça, em Inglaterra e na Costa do Marfim. Foram lugares que me fizeram crescer e compreender até onde pode chegar tanto a generosidade como a crueldade humana. Também me fizeram reconhecer ainda mais a riqueza e a sabedoria dos meus ancestrais.
Se pudesse encarnar uma personagem por um dia, qual escolheria? Porquê?
Karl Marx. Gostaria de dizer: “Meus camaradas, a tecnologia mudou. As máquinas mudaram. O Mundo parece outro. Mas a velha pergunta continua de pé: quem controla os meios de produção, quem decide como a riqueza é distribuída e quem paga o preço desse sistema?”.
Com que idade é que acha que se vai reformar?
Espero que, por volta dos 60 anos, já tenha tranquilidade financeira. Reformado, no sentido de deixar de fazer coisas, não me imagino. Quero continuar activo, porque sinto que ainda tenho muito para fazer pelas pessoas que amo e por quem se encontra em situações de maior vulnerabilidade.
Costuma dar dinheiro a pessoas que pedem na rua? Porquê?
Raramente. Faço-o em situações em que sinto uma ligação ou em que percebo que aquele gesto pode realmente ajudar.
Quando é que tem ciúmes?
Não sou uma pessoa ciumenta. Tento levar as relações de forma simples, com confiança e liberdade.
Este mundo está perdido?
Enquanto houver livros, não estamos perdidos.
Qual é o seu truque para manter a calma perante um imprevisto?
Respirar. Foi um conselho do meu médico e, desde que aprendi a fazê-lo conscientemente, muita coisa mudou na forma como enfrento os imprevistos.
Concorda que os políticos usem o Facebook para responder aos críticos?
Sim, desde que sejam realmente eles a responder. A proximidade com os cidadãos é positiva, mas perde valor quando toda a comunicação é construída por assessores. Prefiro políticos capazes de ouvir, ler, escrever e defender directamente as suas próprias ideias.
Sabe o nome do seu médico de família? Há quanto tempo não o vê?
Sei, sim. Vi-o há poucos dias e considero-me muito bem acompanhado.

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