Crónicas do Brasil | 09-01-2024

Chapada dos Veadeiros é uma das regiões ecoturísticas mais aclamadas do Brasil

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Chapada dos Veadeiros é uma das regiões ecoturísticas mais aclamadas do Brasil

A maior parte do comércio no povoado, as melhores hospedagens, excelentes restaurantes, lojas esotéricas de cristais e souvenires são iniciativas de migrantes nacionais e internacionais, que viram no turismo crescente da Chapada uma oportunidade para enriquecerem. Há grande número de hippies forasteiros que se enfileiram na rua principal do povoado com suas barraquinhas repletas de produtos artesanais e esplendorosas rochas da região, e a grande maioria dos guias credenciados e dos trabalhadores dos estabelecimentos é também de fora.

Somente três horas de carro desde Brasília, a Chapada dos Veadeiros é uma das regiões ecoturísticas mais aclamadas do Brasil. Com exuberantes cachoeiras, cânions enormes e dramáticos, além de belíssimas paisagens, a região recebe visitantes de todo o país e do mundo. Em busca de uma pausa no cotidiano citadino, de mergulhos refrescantes em poços naturais, ou de esotéricos retiros espirituais, a região recebe uma enxurrada de turistas nas épocas de férias e feriados – ou mesmo nos finais de semana, dada a proximidade do Distrito Federal.

Lar de vasto contingente de novos moradores, que tentam adaptar-se aos mosquitos e ao menor contato com os estímulos comuns das grandes cidades, a Chapada dos Veadeiros está sendo progressivamente modificada à semelhança de seus novos ocupantes. Jovens se instalam em casas rurais simples, formando pequenos núcleos familiares e tentando a vida como guias locais. Pessoas mais velhas e financeiramente estáveis adquirem terrenos e neles constroem belas residências. Não há como negar que os recém chegados provém, na maioria das vezes, de famílias de classe média e classe média alta, que os apoiam em sua transição urbano-rural (nem tão rural assim), principalmente no que se refere aos mais jovens.

O contexto sociocultural “original” da região – se é que se pode falar de uma cultura primeira/original –, ou pelo menos o que caracteriza de forma visceral a distribuição étnica da região, é a enorme presença da população quilombola. O território histórico Kalunga, um pouco ao norte do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – mas ainda dentro da área dominada pela topografia compreendida geologicamente como chapada, composta por relevos de mesa – é o maior quilombo do Brasil, o que revela a intensidade de sua presença étnica na região.

A comunidade de São Jorge, povoado que abriga a entrada do Parque Nacional, tem como nativos, atualmente, uma minoria dona de humildes hospedarias e campings, ou responsáveis por pequenos restaurantes e lanchonetes. A maior parte do comércio no povoado, as melhores hospedagens, excelentes restaurantes, lojas esotéricas de cristais e souvenires são iniciativas de migrantes nacionais e internacionais, que viram no turismo crescente da Chapada uma oportunidade para enriquecerem. Há grande número de hippies forasteiros que se enfileiram na rua principal do povoado com suas barraquinhas repletas de produtos artesanais e esplendorosas rochas da região, e a grande maioria dos guias credenciados e dos trabalhadores dos estabelecimentos é também vinda de fora.

Noutra comunidade que faz fronteira com o Parque Nacional, a realidade é semelhante, apesar de menos intensa. Reconhecidamente quilombola, o povoado do Moinho recebe uma enorme quantidade de novos moradores por ano, e os antigos residentes veem incrédulos – talvez nem tanto, dada a explícita relevância turística da região – o surgimento de casas e o loteamento de áreas em que antes residiam onças e tatus. No Moinho, o surgimento de casas próximas à represa que fornece água para a comunidade preocupa os velhos moradores.

Deve-se ponderar, entretanto, que o turismo também passou a ser a maior fonte de renda para os moradores originais, que ainda cuidam de pequenas hortas e roçados, mas adquirem seu rendimento através da condução ecológica de turistas pelo cerrado e da produção artesanal de bolos e queijos, pães e doces de frutas nativas.

Os rincões do sertão brasileiro, antes com populações tradicionais rarefeitas, passam a abrigar o internacionalismo dos ex-citadinos, que, apesar de terem fugido de suas respectivas cidades, trazem consigo seus hábitos e tecnologias alienígenas. O que o contato desses novos moradores com os antigos trará para a região ainda é um mistério, mas é evidente que os velhos moinhos nunca mais serão os mesmos.

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