Cultura e Cidadania | 19-07-2021 17:54

Os Jovens e as aprendizagens essenciais

A escola tem vindo a sofrer várias alterações ao longo das décadas, mas nenhuma tão drástica como a última: - É que se provou que aquela escola estática, física, pode ser móvel, virtual, como a história, certamente, o virá comprovar no futuro.

Quando abracei esta nobre profissão, não imaginava o quão diferente a encontraria 27 anos depois. As mudanças, os ajustes e os reajustes, governo após governo, não foram nada comparados com a grande revolução escolar provocada pela tão famigerada Covid-19; o ensino foi reinventado, alunos e professores tiveram de fazer evoluir as suas competências digitais à velocidade da luz. Num dia estávamos na escola, na sala de aula, no outro, em casa, na sala, no quarto ou no escritório, a vermo-nos e a ouvirmo-nos através de ecrãs de computadores, de “tablets” e de telemóveis...

Atravessamos um período estranho, atípico, e que ocorreu numa altura em que ninguém vislumbrava que tal pudesse suceder.

As crianças e os jovens evoluíram, aprenderam a manusear todas as ferramentas digitais que estavam ao seu alcance. E que bem que o fizeram! Professores, pais e alunos interligaram-se e, de braço dado e lado a lado, partilharam aprendizagens e experiências que permitiram que o Ensino à Distância fosse, em muitos aspectos, bem-sucedido.

E agora, precisamente 1 ano e 4 meses depois, à beira das férias de verão, não posso deixar de pensar, matutar até, acerca do que se fala por aí relativamente à recuperação das aprendizagens essenciais. É que, quando penso bastante sobre o assunto, me parece um contra-senso considerar-se que alunos que evoluíram tão bem e num tão grande piscar-de-olhos, não consigam recuperar e consolidar as aprendizagens!

Perdoem-me os grandes pedagogos e desculpem-me os grupos de trabalho que se têm debruçado sobre esta visão, quanto a mim pessimista da criança e do jovem enquanto aluno.

Eu sou professora, sou aquela que está diariamente com as suas turmas e que assistiu e vivenciou todo o processo de crescimento dos seus alunos, em campos que nunca tinham sido explorados em salas de aula, e que estes tão bem aprenderam a dominar. E, se isto sucedeu, será que algumas aprendizagens essenciais não foram aprendidas e bem apreendidas?

Bem, o futuro dirá que competências se tornam necessárias validar. Um futuro que se espera diferente, inovador, desafiador, até!

Um futuro em que todas as competências dos nossos jovens irão ser postas à prova, quer enquanto alunos, quer, mais tarde, enquanto indivíduos que fazem parte de uma sociedade trabalhadora e que se pretende enriquecida de conhecimentos transversais.

Ouve-se dizer que depois do vírus Covid-19, nada mais vai ser o mesmo; e eu, enquanto docente, compactuo com esta visão. Realmente, a escola tem vindo a sofrer várias alterações ao longo das décadas, mas nenhuma tão drástica como a última: - É que se provou que aquela escola estática, física, pode ser móvel, virtual, como a história, certamente, o virá comprovar no futuro.

Os conhecimentos já não podem ser só teóricos, têm de ter sustentação prática e, esta geração de crianças e jovens, que tanto esforço fez para se adaptar a uma nova realidade escolar e que foi tão bem sucedida, é, na minha modesta perspetiva, é já uma geração amplamente dotada de competências e aprendizagens para cumprirem o que deles se espera: serem o futuro, serem o dia de amanhã!


Júlia Maria Feiteira Dinis Bernardino

Professora de Inglês

Escola Básica e Secundária de Vialonga

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