Cultura | 06-10-2019 10:00

Caminhar na charneca da Chamusca para valorizar o interior do país

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Caminhada pela charneca ribatejana junta meia centena de pessoas
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Caminhada pela charneca ribatejana junta meia centena de pessoas

O Casal do Gavião, na Chamusca, foi o local escolhido para meia centena de pessoas percorrerem o montado ribatejano.

Quando Graça Saraiva soube que vinham cerca de cinquenta caminheiros à sua propriedade no Gaviãozinho, Chamusca, ficou tão entusiasmada que começou a bater palmas. “Fico feliz por saber que ainda há pessoas interessadas em conhecer e usufruir da beleza da charneca ribatejana”. A charneca, diz Graça, é um local de partilha, mas também um local de silêncio. “Podemos tirar partido da charneca da forma como bem quisermos. Podemos trazer alguém e partilhar conhecimentos ou podemos vir sozinhos simplesmente para contemplar o bom que é estar em silêncio”, refere.

Os caminheiros vinham de vários pontos do país mas todos tinham em comum viverem nas grandes cidades. Graça Saraiva acha que o problema está nas pessoas desprezarem a charneca e não perceberem a sua riqueza. “A charneca está desvalorizada em relação às outras paisagens. Talvez por ser muito desabitada e longínqua. Nós estamos no concelho da Chamusca e os próprios chamusquenses também acham que a charneca é para os camponeses”, afirma.

O projecto do Casal do Gavião começou a ser construído em 2003 com o objectivo de fazer a consolidação do montado e trabalhar a paisagem da charneca como elemento de ligação entre pessoas. Graça Saraiva orgulha-se de ter um espaço dinâmico onde recebe pessoas de outros países, como é o caso de um grupo de estudantes belgas da Universidade de Gent, que passa ali uma semana a fazer trabalhos sobre a charneca e sobre as pessoas que nela vivem.

O professor universitário Carlos Cupeto tem um projecto chamado Tejo a Pé que procura que as pessoas aprendam a viver o rio mesmo longe das suas margens. Durante a caminhada apontava para o cascalho para explicar que o rio Tejo é mais do que o curso de água que vemos. “Este cascalho significa que o rio também já andou por aqui”.

Para Carlos Cupeto, o problema para o esquecimento de certos patrimónios naturais está na forma como o turismo está a ser orientado. “O que se está a vender são entradas para o Mosteiro do Jerónimos e Torre de Belém. O nosso mais importante património, o natural, é quase ignorado. E não me digam que é por não dar dinheiro”, afirma, para concluir que é preciso organização e que conhece locais que recebem turistas de países nórdicos que pagam milhares de euros para os visitar.

Encontro no campo depois de um desencontro em Lisboa

O repórter de O MIRANTE encontrou Paulo e Margarida que, enquanto entrançavam uma espiga de milho, conversavam sobre o sucesso da iniciativa e o quanto era bom passar uma manhã de domingo entre sobreiros e terras de cultivo.

Quando iniciaram uma conversa a meio do caminho perceberam que já se conheciam mas nunca tinham convivido. Trabalharam quase lado a lado no mundo da publicidade numa grande agência de comunicação em Lisboa. A objectiva de O MIRANTE captou o momento do reencontro e a felicidade dos dois caminhantes que durante muitos anos trabalharam perto, mas aparentemente de costas viradas.

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