Cultura | 20-05-2020 12:30

Ascensão em Vila Franca de Xira é a romaria ao Senhor da Boa Morte

Ascensão em Vila Franca de Xira é a romaria ao Senhor da Boa Morte

Piedade Caetano receia que cancelamento deste ano acentue crise da tradição. Festa devia voltar para o centro de Povos porque muitas pessoas idosas já não conseguem ir até ao santuário.

A romaria ao Senhor da Boa Morte em Povos, Vila Franca de Xira, é uma das imagens de marca do feriado municipal da Ascensão naquele concelho ribatejano e desde os 21 anos que Piedade Caetano é presença assídua na mesma. É religiosa e quem vive em Povos conhece-a bem, mais que não seja pelo facto de nos últimos anos ter levado na procissão o estandarte do Rancho da Alfarrobeira, do qual é presidente. O rancho foi criado há 32 anos precisamente junto ao santuário do Senhor da Boa Morte.


Piedade Caetano nasceu em Ourém mas vive em Vila Franca de Xira há mais de quarenta anos. Explica que a Ascensão tem para si um significado importante, de esperança e convívio entre todos, de fé e de bênção dos campos na expectativa de um ano melhor. “É um momento lindo”, refere. Este ano, devido à pandemia de Covid-19, a romaria teve de ser cancelada e isso entristece-a.


Para O MIRANTE recorda as duras caminhadas, em procissão, entre o pelourinho de Povos e o santuário, situado no alto do monte. “Nem sempre era fácil para quem tinha de levar o andor”, conta.


Para os membros do rancho, que tinham de actuar à chapa do sol no santuário, também não. “Tenho dançarinos que não gostam muito de lá actuar. É muito cansativo e ao sol custa muito. Há dois anos a minha neta mais velha teve de ir para o hospital depois de se sentir mal por causa do calor. Nesse dia nem vento havia”, recorda.


Piedade adora a romaria mas teme que a tradição possa acabar. As mudanças feitas recentemente pela comissão de festas não agradaram à comunidade e isso tem-se visto numa redução crescente de fiéis a acompanhar a cerimónia. “Era uma grande romaria mas agora já não, traz pouca gente e está prestes a acabar. Sentimos isso no dia-a-dia. Só faltava a Covid para afastar as pessoas ainda mais”, lamenta.


Um dos problemas, diz, é o facto da festa ter deixado de se realizar no centro de Povos e ter passado toda ela para o santuário. “Há muitas pessoas com idade que já não podem lá ir. Se fosse cá em baixo, como antigamente, ainda apareciam”, critica.


A recente candidatura da Romaria ao Senhor da Boa Morte às 7 Maravilhas da Cultura Popular pode ajudar a dinamizar e promover a romaria, defende. “Fiquei apaixonada pela tradição. Espero que não acabe, mas para isso é preciso fazer alguma coisa. Acabar com a festa cá em baixo foi um erro”, insiste.

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