Cultura | 21-11-2022 15:00

Fotografia a preto e branco domina Bienal de VFX

Fotografia a preto e branco domina Bienal de VFX
Stefano Martini, Sebastiano Raimondo e Rafael Antunes três dos fotógrafos premiados na Bienal de fotografia de VFX 2020

Diz quem faz da fotografia profissão e paixão que o preto e branco é a maneira mais pura de registar imagens.

No dia em que abriu a Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira. O MIRANTE apontou a lente e o gravador aos fotógrafos para descobrir porque é que o regresso aos primórdios está a ser tão popular.

A fotografia a preto e branco está a conquistar novamente o mundo da imagem e a moda veio para ficar, diz quem faz da fotografia profissão. À margem da abertura da Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, no sábado, 12 de Novembro, O MIRANTE foi perceber por que motivo o preto e branco está a cativar tantos apaixonados pela fotografia.
“É o regresso à forma mais poética da imagem. A cor retira parte da atenção que se pode dispensar a uma imagem e o preto e branco obriga-nos a estarmos mais atentos aos detalhes. Tem uma forte carga poética e de liberdade”, considera Rafael Antunes. O fotógrafo de Mafra venceu o prémio Tauromaquia com um conjunto de fotos (a cores) tiradas a forcados cinco a dez minutos depois de uma pega. Apesar de fotografar com os dois formatos admite que sempre teve um carinho especial pelas imagens a preto e branco. “São as únicas imagens que sei revelar. Há sempre uma relação próxima quando se faz o trabalho do princípio ao fim”, confessa.
Já para o vencedor do Prémio Concelho, Stefano Martini, o regresso do preto e branco é bem-vindo. O brasileiro, residente em Lisboa há cinco anos, apresentou um estudo fotográfico sobre a Linha do Norte. “São ciclos que vão mudando. Quando apareceu a cor ela não era valorizada e agora estamos a assistir ao inverso, toda a gente quer imagens a preto e branco. Para mim o incrível é que hoje se fotografe tanto e de tantas formas diferentes, isso é que é mágico”, destacou.
Este ano a Bienal foi ganha pelo italiano Sebastiano Raimondo (ver caixa) que considera positivo o renascimento do preto e branco. Apesar de sempre ter fotografado em película e a cores reconhece que as imagens a duas cores têm um encanto especial. “Nos últimos anos também voltei ao preto e branco. Tenho imensas referências de fotógrafos que disparavam a preto e branco e são imagens que têm um encanto diferente”, defende.
A Bienal de Fotografia de VFX tem entrada livre e está patente ao público até 15 de Janeiro. A câmara deu um prémio de cinco mil euros ao vencedor do prémio Bienal e mil euros a cada um dos vencedores dos prémios Tauromaquia e Concelho. O júri atribuiu uma menção honrosa ao trabalho de Bruno Silva. Além dos vencedores estão patentes no Celeiro da Patriarcal trabalhos de outros oito fotógrafos: Miguel Marquês, Rafael Raposo Pires, Maria Peixoto Martins, Joana Duarte, Bruno Silva, João Salgueiro Baptista, Rodolfo Gil e Rodrigo Vargas.

Um italiano com Vila Franca de Xira no coração

Stefano Raimondo tem 41 anos e é de Palermo, Sicília, na Itália. É fotógrafo, investigador e formado em Arquitectura. É fascinado por Portugal e vive em Lisboa. Foi a primeira vez que participou na Bienal e venceu com um conjunto de imagens que retratam a forma como se construiu a paisagem no interior da Sicília através do cultivo do trigo. A peça chama-se “Reduce-re”, que em italiano significa regresso a casa. “Ironicamente ganhei num espaço chamado Celeiro da Patriarcal. É uma coincidência muito agradável, não estava nada à espera de vencer. Nunca mais me vou esquecer de Vila Franca de Xira, tenho-a para sempre no meu coração”, confessa a O MIRANTE.
Diz que a fotografia tem de ser sentida e trabalhada e que ter uma grande máquina não é sinal de tirar boas fotos. “Quando olhamos para uma imagem não está escrito com que máquina foi tirada. Assim como quando vemos uma pintura não perguntamos qual a marca do pincel”, brinca.

Joana Duarte, de 22 anos, é de VFX e foi uma das onze finalistas ao prémio bienal

Joana Duarte: talento de estreante

Joana Duarte tem 22 anos e é de Vila Franca de Xira. Foi uma das onze finalistas da Bienal com uma desconstrução de fotografias de família. Para a jovem estudante de pintura e museologia foi um orgulho ter chegado à final na sua primeira participação. “Decidi apresentar um conjunto de fotografias de família, autobiográficas e transfigurei-as para criar novas memórias. Há gerações que crescem com fotografias em casa e começam por associar memórias falsas a essas imagens”, explica a O MIRANTE. O gosto pela fotografia vem desde a infância e cativa-a o lado poético da imagem.

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