Cultura | 30-11-2022 21:00

Recriar o passado na Póvoa custa muito dinheiro mas vai valendo o amor à camisola

Recriar o passado na Póvoa custa muito dinheiro mas vai valendo o amor à camisola
Mercado quinhentista transportou a cidade da Póvoa de Santa Iria para o século XV

O mercado quinhentista voltou à cidade da Póvoa de Santa Iria depois da pandemia e já toda a gente tinha saudades. Um evento acarinhado pela comunidade mas que custa muito dinheiro aos voluntários que se trajaram a rigor apesar do agravar da crise económica.

Manter vivo o passado e as suas tradições não sai barato mas nem por isso os voluntários que animaram o mercado quinhentista que se realizou na Póvoa de Santa Iria deixaram de gastar centenas de euros do próprio bolso para animar a comunidade. O amor à camisola, a paixão pelos costumes do século XV e o convívio vão movendo os voluntários mesmo perante um agravamento da crise económica e das condições de vida. Exemplo disso foram os escoteiros da cidade que também colaboraram na iniciativa, com os membros a trajarem-se a rigor para um desfile que se realizou pelas ruas. Trajes que foram, claro, pagos do próprio bolso dos participantes.
Rui Fonseca, há 16 anos no grupo Armas da História, uma das associações que colaborou na organização do evento realizado a 12 de Novembro, confirma que nem sempre é fácil arranjar dinheiro para manter viva a paixão por estes eventos. Em frente às três tendas que colocaram no espaço, os elementos do grupo comentam que é um investimento que nem todos teriam capacidade de acarretar, com as tendas a custarem 2.500 euros cada, os trajes mais de 100 euros cada, alguns até mais, e os móveis mais de 80 euros. “Infelizmente as coisas acabam por ter preços demasiado elevados e, se queremos realismo, só pessoas com algum fundo de maneio conseguem participar, o que é uma pena”, contam os membros do grupo. Só para as lutas de espadas foram precisas réplicas vindas da Alemanha que custaram largas centenas de euros. Tudo em nome da precisão histórica.
“O Caminho d’El Rey” foi o nome da segunda edição do Mercado Quinhentista que tomou de assalto a Quinta Municipal da Piedade, promovido pela União de Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa. Por um dia a comunidade pôde ver um cortejo pelas ruas, visitar bancas de artesanato e comida, assistir à queima da bruxa, lutas de espadas, teatro, comer porco no espeto, ouvir música da época e assistir a um espectáculo de fogo. Segundo a organização, devido ao seu sucesso tanto na edição de 2019 como na actual, este é um evento a regressar em 2023.

Cultura e imaginário
A deambular pelo recinto, os visitantes eram surpreendidos pela presença de uma bruxa e um homem do saco, um ser errante, preso por uma corda enlaçada para a forca em torno do seu pescoço, duas bailarinas e uma malabarista. O ar sério das personagens escondia o sorriso entusiasmado de Vera Cardoso, Fernando Simões, Vasco Silva, Sandra Silva, Sara Sofia e Mafalda Rei, do grupo Black Raven, da Póvoa de Santa Iria. Nos eventos com bases históricas, marcam presença e fazem por investir na aproximação à recriação histórica, apesar de também gostarem do mundo do misticismo e folclore português. O grupo demonstrou um pouco do que fazem, com a fuga de prisioneiros, queima da bruxa, guerra de agricultores e, claro, o espectáculo de fogo ao fim do dia.
Elementos do Gruta Forte e do Grémio Dramático Povoense também ajudaram a dar animação ao espaço. Já Gisela Coelho dos Escoteiros da Póvoa de Santa Iria mostrou-se bastante animada com a inclusão dos dois grupos de escoteiros no evento, por acreditar que são uma mais-valia para a freguesia e cuja ajuda foi essencial para a realização do evento.

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