Cultura | 02-12-2022 18:00

Luba: a chef de cozinha russa que não gosta de comer e adora o Ribatejo

Luba: a chef de cozinha russa que não gosta de comer e adora o Ribatejo
Nuno Dias é o proprietário do restaurante Zeca, em Casais de Igreja, concelho de Torres Novas. Luba Kropacheva é a responsável pela cozinha do restaurante Papa Figos

Lyubov Kropacheva é russa e vive há mais de duas décadas em Portugal. É chef de cozinha e gosta de misturar nos seus pratos a tradição com modernidade. Foi uma das cozinheiras com quem O MIRANTE falou durante o Festival das Couves com Feijões em Torres Novas.

A quinta edição do Festival das Couves com Feijões de Torres Novas contou com a participação de cerca de meia centena de restaurantes, números que demonstram que a iniciativa tem ganho projecção a cada ano que passa. Um dos restaurantes aderentes foi o Papa-Figos, que tem como responsável pela cozinha a russa Lyubov Kropacheva.
Luba, como gosta de ser chamada, trocou a Rússia por Portugal há mais de duas décadas, fixando-se inicialmente na cidade de Leiria. Uma das primeiras perguntas do repórter de O MIRANTE foi sobre como se sentia em relação à guerra na Ucrânia. A resposta foi imediata; “pode colocar no texto que sou ucraniana porque os russos agora estão fora de moda pelo que andam a fazer”, diz, com um sorriso amarelo.
Em Leiria trabalhou numa fábrica de malhas. “Nas fábricas umas vezes pagam outras não e avancei para outras áreas de trabalho”, conta Luba, que começou por ser empregada de mesa na restauração num restaurante “mais modesto”.
Arriscou na área da cozinha e veio para a região ribatejana, decidindo abrir o seu próprio espaço na vila de Alcanena, onde ainda hoje vive. O restaurante “O Facho” acabaria por fechar ainda antes da chegada da pandemia. “Era um local que servia diárias e percebi que não ia conseguir fazer algo com qualidade e que fosse rentável”, confessa, revelando que foi nessa altura que bateu à porta do Papa-Figos.
Sobre Portugal, particularmente sobre o Ribatejo, afirma que gosta do clima, da tranquilidade e da simpatia das pessoas. Curiosamente, embora ganhe a vida cozinhando alimentos, Luba diz que não gosta de comer. “Gosto de fazer, de combinar a arte com os sabores e ir buscar as tradições”, confessa a russa, que vai aos pratos típicos da cozinha portuguesa para lhes dar um toque original e mais moderno, como aconteceu no festival, com uma base de puré de feijão com couve migada e o molho de hortelã que acompanharam o chambão de borrego assado no forno.
Casada com um português há 12 anos, Luba não pode concretizar o seu grande sonho, que é ser mãe. “Não consigo, já tentei tudo. Se pudesse ter filhos não poderia ter dedicado tanto tempo à cozinha”, confidencia, com emoção.

As migas do Zeca
O restaurante Zeca, em Casais de Igreja, freguesia de Assentiz, foi outro dos espaços que disponibilizou à sua clientela pratos baseados na couve e no feijão.
O MIRANTE acompanhou uma manhã de trabalho na cozinha do Zeca. Nuno Dias usa couves da sua própria horta, que fica situada nas traseiras do restaurante. “As pessoas gostam mais daquela couve do quintal, caseirinha, biológica, que não leva produtos químicos”, conta o proprietário do Zeca, que assume todas as posições da cozinha ao lado da sua esposa, Susete Gonçalves, e da ajudante Susana Graça.
Os clientes puderam saborear o chispe com couves e feijões e ainda o bacalhau assado acompanhado das migas. Nuno Dias elogiou a iniciativa do Festival das Couves com Feijão, considerando que “é uma maneira de puxar mais clientela para os restaurantes do concelho”.

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