Cultura | 25-12-2022 12:00

Coro do Círculo Scalabitano também canta em casamentos

Coro do Círculo Scalabitano também canta em casamentos
Coro do Círculo Cultural Scalabitano encerrou as comemorações do 50º aniversário com um espectáculo na Igreja da Sé, no Largo do Seminário, em Santarém

O coro do Círculo Cultural Scalabitano encerrou as festividades do 50º aniversário com um espectáculo, que decorreu no domingo na Sé de Santarém. O grupo conta actualmente com 33 elementos, entre os 26 e 79 anos. Para 2023 está prevista a reactivação do coro infanto-juvenil assegurando assim a renovação e o futuro de um projecto que é uma referência cultural na cidade.

O coro do Círculo Cultural Scalabitano encerrou no domingo, 18 de Dezembro, as festividades do 50º aniversário com um espectáculo na Sé de Santarém, que incluiu a Camerata de Cordas de Leiria. António Matias, 47 anos, é maestro do coro desde Setembro de 2008. Uma hora antes do espectáculo fazem-se os últimos ensaios para que tudo corra bem. O seu ar energético e a paixão pela música contagia quem está em redor. Repete as vezes que forem necessárias até sentir que as vozes e os instrumentos estão como pretende. Vestida de preto, com um xaile vermelho, como todas as suas colegas de coro, está Celina Ferreira, de 79 anos, o elemento mais velho do coro e que confessa não conseguir viver sem música. Não gosta de cantar sozinha, mas acompanhada adora. “Sempre pensei integrar o coro mas pensei no assunto durante muito tempo. Na altura, ainda não estava reformada mas um dia decidi. Foi o melhor que poderia ter feito. O ambiente é bom, somos como uma família e isso é muito importante”, conta a O MIRANTE confessando, com um sorriso, que as músicas em inglês é que lhe dão mais trabalho.
O coro conta actualmente com 33 elementos, entre os 26 e 79 anos, tendo mantido o número após a pandemia. Margarida Lencastre tem 74 anos e pertence ao coro desde 1996. É uma apaixonada por música e canta em todo o lado. Seja sozinha ou com os netos. Beatles é a sua banda de eleição. Afirma que o momento alto, desde que pertence ao coro, foi a entrada do maestro António Matias. “Trouxe uma lufada de ar fresco e criou ritmos diferentes, mais modernos, o que foi muito importante para o coro se manter activo e com espectáculos”, refere a também presidente da direcção do coro.
Se pudesse oferecer uma prenda ao coro Margarida Lencastre gostava que existissem condições económicas para participarem em festivais internacionais. Todos os anos participam pelo menos em um mas é às custas dos coralistas. Cada um paga a sua parte. “Também gostaria que houvesse um espaço diferente para ensaiarmos. No Teatro Taborda existe uma sala polivalente que serve as várias secções. Temos espaço mas gostava que pudéssemos ter uma sala só para ensaiarmos”, afirma.
António Santos, 64 anos, está no coro há dez anos. Natural do Porto, pertenceu a vários coros. Economista de profissão, também fez parte de um coro em Angra do Heroísmo, quando viveu nos Açores. Depois de casar passou a viver em Santarém. Ainda demorou uns anos mas acabou por não resistir ao apelo da música e tornou-se coralista no Círculo Cultural Scalabitano. “Arranjei uma segunda família. Sinto-me muito feliz a cantar. Consigo sentir-me livre. Gosto de todos os estilos musicais, excepto jazz”, realça. Não tem preguiça para os ensaios nem para os espectáculos. Quando está bom tempo até vai de bicicleta para o Teatro Taborda onde decorrem os ensaios, duas vezes por semana, entre as 21h30 e as 23h30.

Renovação assegurada com reactivação do coro infanto-juvenil em 2023
No plano de actividades para 2023 está a reactivação do coro infantil ou juvenil. “É uma forma de assegurar a renovação do coro e temos malta jovem interessada em fazer parte do coro por isso vamos fazer tudo para avançar com esse projecto. A renovação é sempre importante. Tenho que adequar o projecto que tenho em mente à composição e dimensão do coro”, explica António Matias. Actualmente o coro tem 35 elementos. Mais homens do que mulheres. “É uma questão cultural, infelizmente, sobretudo na fase da adolescência. Não vemos os pais a irem levar os filhos rapazes ao ballet ou ao coro. Levam-nos ao futebol. Na fase adulta já não existe esse preconceito, que já deveria ter acabado”, lamenta o maestro, que é chefe de divisão do Património Arqueológico e das Arqueociências na Direcção Geral do Património Cultural.
António Matias admite que nem sempre os ensaios são fáceis mas, explica, existe uma relação de confiança entre todos, há muitos anos, o que facilita na hora de começar os ensaios. “O meu papel é unir pontas. Faço de intermediário entre aquilo que lhes vem da alma e o que cantam e o que transmitem ao público. Também arregalo os olhos como eles me dizem, a brincar. Faço-o para perceberem como devem fazer. É preciso boa comunicação e nós temo-la”, conta bem disposto.
O maestro lamenta que só se lembrem dos coros na altura do Natal, na Páscoa e outras épocas festivas. António Matias recorda os espectáculos que fizeram com o grupo Gotik Metallic para mostrar que a música é muito vasta e faz parte da formação de novos públicos. Também participam em casamentos e são pagos para isso, é uma forma de rendimento para o coro. Se tivesse que oferecer uma prenda ao coro pelo seu 50º aniversário oferecia uma nova obra feita por si para estrear em 2023.

“Não desistir foi a nossa salvação”

A pandemia não prejudicou a actividade do coro. Foi nessa altura que apresentaram um Requiem a Bernardo Santareno, criado por António Matias. “Foi a resiliência que nos distinguiu dos outros grupos que se extinguiram com a pandemia e estão com muita dificuldade em recomeçar. Nós ensaiámos sempre, com as devidas distâncias e com máscaras e fizemos espectáculos da mesma maneira. Não desistir foi a nossa salvação”, garante.

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