Cultura | 30-12-2022 18:00

Chico Noras quer pôr Santarém no mapa do cinema nacional

Chico Noras quer pôr Santarém no mapa do cinema nacional
Chico Noras, cineasta de Santarém, apresentou à imprensa a sua mais recente curta-metragem, intitulada "Maria José Maria"

A mais recente curta-metragem de Chico Noras, intitulada “Maria José Maria”, é baseada num crime macabro ocorrido no século XIX em Lisboa.

O jovem realizador transportou a história para Santarém, onde filmou a história de terror e humor negro. Natural de Santarém, quer que os seus filmes tenham como pano de fundo a sua cidade natal para, quem sabe, um dia conseguir transformá-la num local de produção de cinema.

Ver Santarém como um centro de produção de cinema tornando-se uma pequena Cannes (França) ou uma pequena Hollywood é um dos sonhos de Chico Noras, realizador que recentemente criou “Maria José Maria”, uma curta-metragem de terror e humor negro apresentada à imprensa na noite de 13 de Dezembro no Teatro Sá da Bandeira, em Santarém. Chico Noras, de 31 anos, explicou a O MIRANTE que fazia todo o sentido apresentar a sua mais recente obra na sua terra natal. “Santarém é a minha musa inspiradora e acredito que o seu património material e arquitectónico poderia ser aproveitado para outras produções cinematográficas, inclusive estrangeiras”, referiu.
“Maria José Maria” tem a duração de 20 minutos e baseia-se em factos reais. Um crime macabro que aconteceu nos anos 40 do século XIX, em Lisboa, durante as obras de Santa Engrácia, onde foi encontrado um corpo decapitado e desmembrado. As partes do corpo foram espalhadas por diferentes locais de Lisboa, incluindo a cabeça. O crime chocou a população e serviu de inspiração a Chico Noras. “Tive conhecimento da história através do director de fotografia que também é um dos produtores executivos do filme, Nuno Martini, que me desafiou a fazer este filme. Aceitei e estou muito satisfeito com o resultado final”, afirma o cineasta.
O filme foi gravado durante oito dias e, além do centro histórico de Santarém, também houve filmagens na casa dos avós paternos de Chico Noras, na Póvoa da Isenta, onde andaram entre galinhas e coelhos. “O género de terror fascina-me por continuar a ser o patinho feio do cinema português porque ainda não se faz muito nem evoluiu muito”, considera o cineasta. Licenciado em Cinema e Televisão, tendo tirado um mestrado na mesma área, Chico Noras refere que este filme teve o apoio financeiro da Fundação GDA, que apoia artistas portugueses. Também teve o apoio da Câmara de Santarém, entre outros patrocínios. “Sou muito chato e bato a todas as portas para conseguir apoios. Até agora tem corrido bem, espero que assim continue”, sublinha antes da visualização do filme.

Levar Santarém por esse mundo fora
O primeiro filme de Chico Noras, intitulado “Por um punhado de trocos”, ganhou vários prémios internacionais em 2021 nomeadamente nos festivais de Praga (República Checa), Berlim (Alemanha), Nova Iorque (EUA) e Índia. Recebeu também uma menção especial da competição internacional de Curtas do Festival de Avanca (distrito de Aveiro) e foi aceite no Motel/x, Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. “Esta é uma forma de levar Santarém por esse mundo fora. A cidade tem um património rico para fazer filmes de época e Santarém pode enquadrar-se como uma das peças fundamentais num plano de ‘vender’ Portugal para o estrangeiro. É uma forma de turismo e estes filmes são sempre um investimento porque pode haver retorno a nível de turismo”, sublinha.
Chico Noras admite que o facto de ter actores reconhecidos é muito importante para um filme. “Um nome conhecido é, sem dúvida, importante mas não pode ser a regra da escolha do casting. Neste caso, o André Gago foi escolhido porque era perfeito para a personagem que interpretou”, explica. Chico Noras é apaixonado por cinema desde os 12 anos e desde então que alimenta esse sonho. Trabalha na área da publicidade digital e nos tempos livres produz filmes. Confessa ser preciso ter criatividade financeira para conseguir concluir os projectos. O próximo filme chama-se “O Procedimento” e será uma comédia negra, com algum drama no final. O elenco está fechado e vai começar a gravar em Abril no Hospital Distrital de Santarém.

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