Cultura | 27-01-2023 21:00

Emoções fortes na Azinhaga a ler José Saramago

Emoções fortes na Azinhaga a ler José Saramago
Dezenas de pessoas juntaram-se na Azinhaga para uma tarde de passeio que terminou com a leitura viva da obra “As pequenas memórias” de José Saramago

Ana Saramago Matos, neta do escritor, foi a principal dinamizadora da iniciativa que contou também com a presença de Vitor Guia, presidente da Junta da Azinhaga. Tarde de emoções envolveu também um passeio pelos locais simbólicos do Nobel da Literatura e que vêm descritos na obra “As Pequenas Memórias”.

A Azinhaga, no concelho da Golegã, viveu uma tarde repleta de emoções que culminou com a leitura viva da obra “As pequenas memórias”, de José Saramago, pelo actor e encenador Tónan Quito. A tarde começou com um passeio a pé onde os participantes ficaram a conhecer os locais simbólicos de José Saramago na sua aldeia e que vêm descritos na obra, a única auto-biográfica do Nobel da Literatura, que abrange o período entre os quatro e os quinze anos da sua vida.
Durante a sessão de leitura, que encheu a sala principal da delegação da Fundação José Saramago na Azinhaga, com pessoas vindas de várias zonas do país, Ana Saramago Matos, neta do escritor e principal dinamizadora da iniciativa, sorriu várias vezes nos momentos em que Tónan Quito leu passagens do livro onde Saramago colocou o seu humor característico. A leitura incidiu sobretudo nos capítulos em que o autor lamenta o desaparecimento de centenas de hectares de oliveiras (e do lagarto verde) por culturas mais lucrativas, da primeira paixão que o fez atravessar o rio Tejo para a margem do concelho da Chamusca, da importância dos seus avós Jerónimo e Josefa na sua formação e no capítulo onde descreve o primo José Dinis, com quem mantinha uma relação singular de amizade mas ao mesmo tempo de rivalidade. Como José Saramago descreveu, sobre “As Pequenas Memórias”, o seu objectivo foi sempre “recuperar, reconstruir, a criança que [foi]. De qualquer modo, o meu livro pode entender-se como pagamento de uma dívida. Penso que devo tudo o que sou àquela criança. Foi ela o meu arquitecto”.

Preocupação com o ambiente
O MIRANTE conversou com Ana Saramago Matos minutos antes do início da leitura viva. A propósito do centenário do nascimento do escritor, a Fundação lançou um roteiro para dar a conhecer os locais marcantes dos anos que José Saramago viveu na Azinhaga. Ana Matos afirma que a Fundação vai continuar a trabalhar com os parceiros locais para devolver à comunidade aquilo de que José Saramago foi herdeiro. “A decisão de criar esta delegação da Fundação tem um propósito; dar às pessoas da Azinhaga um conjunto de ferramentas que possam contribuir para a sua formação a vários níveis”, sublinha, salientando que a actividade que a Fundação desenvolve assenta nos eixos, memória e ambiente. “Uma das preocupações que Saramago nos deixou foi a das alterações climáticas. Tendo em conta a proximidade que a Azinhaga tem com o Paul do Boquilobo, a primeira reserva da biosfera em Portugal, é muito importante continuar a debater sobre estas questões”, afirma, acrescentando que a Fundação vai continuar a realizar oficinas e a desenvolver projectos comunitários na freguesia e no concelho da Golegã.

Tónan Quito

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