Cultura | 05-08-2023 15:00

Cinquentões de Vila Chã de Ourique organizam festas da terra

Cinquentões de Vila Chã de Ourique organizam festas da terra
Cinquentões 2023 concretizaram o sonho de um novo bar no recinto de festas

A Festa em Honra do Senhor Jesus dos Aflitos, em Vila Chã de Ourique, é organizada por pessoas da terra que cumprem 50 anos de vida nesse ano. Durante quatro dias, passam dezenas de horas em pé e quase não vão à cama.

O MIRANTE foi conhecer alguns cinquentões de 2023, que deram o seu melhor para que as festas fossem mais uma vez um sucesso.

“Os Cinquentões” de Vila Chã de Ourique têm a responsabilidade de organizar anualmente a Festa em Honra do Senhor Jesus dos Aflitos. Todos os anos a freguesia do concelho do Cartaxo mobiliza os homens e as mulheres da terra que completam meio século de vida para dar continuidade à festa. O arraial traz a Portugal os emigrantes de Vila Chã de Ourique e é um importante ponto de encontro e de convívio. Este ano a festa decorreu de 28 a 31 de Julho e juntou 35 cinquentões. A repórter de O MIRANTE conversou com quatro deles para perceber como é chegar à ternura dos 50 e constatou que a idade ainda não pesa e que estão aí para as curvas.
Pedro Ferreira, juiz dos Cinquentões 2023, afirma que os cinquentões de hoje trabalham como se tivessem 20 anos na necessidade de garantir o seu lugar no mercado de trabalho e isso é meio caminho andado para a garra demonstrada na organização da festa: “Nós somos cinquentões diferentes dos nossos pais, há que saber envelhecer e quando assim é torna-se das coisas mais bonitas”. O cinquentão aproveita a vida a passar tempo de qualidade com a família, a comer e beber com os amigos e assegura que a morte não o assusta porque não pensa nela. Desde os oito anos que conhece a festa e admite que o conceito continua o mesmo, apesar de ter havido melhoramentos nas infraestruturas e equipamentos, muito graças ao trabalho das comissões. Por ter nascido no mesmo ano da esposa, participaram em família e puderam contar com a ajuda da filha de 18 anos. “Temos um grande sentido de propriedade e gostamos de deixar legado”, defende.
A cinquentona Ana Quarenta partilha da mesma opinião pois participou na festa com o irmão e achava os cinquentões diferentes. Para si a idade não tem de ser um posto, mas é inegável que lhe trouxe maturidade e também algumas limitações: “Ter 50 anos é olhar para nós bem-dispostos, mas cheios de dores nas costas e nos pés. Às vezes pensamos por que é que a festa não é feita quando temos 40 anos, mas se calhar não temos a maturidade suficiente”. A bancária de profissão procura acompanhar as tendências e sai para casa de casais amigos. Ao contrário de Pedro Ferreira, a morte assusta-a, uma vez que perdeu o pai e a mãe no espaço de quatro anos. O pai faleceu-lhe há um mês e ponderou não participar na festa; valeu-lhe o incentivo dos colegas e o pensamento de o deixar orgulhoso.
Ofélia Leitão integra um dos casais amigos de Ana Quarenta e tem uma opinião muito vincada sobre a festa. “O evento é uma oportunidade de encontrar antigos colegas de turma. Passar tantas horas com as mesmas pessoas é um desafio, mas revelam-se surpresas agradáveis”, refere. Embora veja o corpo a mudar, a mente permanece jovem: “A idade é um posto no sentido de passar sabedoria e a morte só me assusta quando penso em não estar cá para guiar e amparar os meus filhos”. A cinquentona é operária fabril no Cartaxo, freguesia vizinha.

“Faço tudo como se tivesse 20 anos”
Humberto Costa é emigrante em França, na cidade de Dijon, e sempre que pode acompanha os cinquentões. O MIRANTE encontrou-o na festa entre tarefas e foi difícil acreditar que bateu o marco dos 50 anos. Participou em campeonatos internacionais de musculação, faz atletismo e integra algumas das actividades do Trilho dos Cágados de Vila Chã de Ourique, além de ter muita atenção à alimentação: “As pessoas agora são mais dinâmicas, antes era casa-trabalho/trabalho-casa. Faço tudo como se tivesse 20 anos, a cabeça é que manda”. O emigrante passou a dar mais valor à natureza e tenta transmitir a preocupação ambiental aos filhos. Desde muito jovem que vai à festa e garante que a sensação e experiência são iguais. Apesar de ter viajado pelo mundo, volta sempre a Vila Chã de Ourique. “O espírito em França não é de festas, as pessoas são mais fechadas e não têm brincadeiras como os portugueses”, conclui.

O juiz dos Cinquentões 2023, Pedro Ferreira, discursou ao lado do presidente da Junta de Vila Chã de Ourique, Vasco Casimiro (ao meio), e do presidente da Câmara do Cartaxo, João Heitor

Cinquentões 2023 inauguraram novo bar

O juiz dos Cinquentões 2023, Pedro Ferreira, transmitiu a O MIRANTE a felicidade de inaugurarem o novo bar durante as festas: “Foram instalações provisórias que acabaram por se tornar definitivas. Enquanto formos ambiciosos vai sempre faltar alguma coisa”. Pedro Ferreira recordou os tempos em que as infraestruturas eram em madeira e o chão em terra batida e viu o trabalho das comissões reconhecido pelo presidente da Câmara do Cartaxo, João Heitor, e pelo presidente da junta de Vila Chã de Ourique, Vasco Casimiro. A bandeira foi entregue ao juiz da comissão de 2024, Nuno Mesquita, que fez questão de ajudar na festa deste ano.
Desde Setembro de 2022 que os Cinquentões organizam eventos mensais para angariar fundos, sendo a Festa da Água-pé e Doce D’Arrobe e a Festa do Arroz Doce e Coscorão os tradicionais por se tratarem de produtos registados na freguesia.

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