Cultura | 06-09-2023 21:00

João Pereira transforma Mercado do Levante na Póvoa de Santa Iria na “Praça das Cores”

João Pereira transforma Mercado do Levante na Póvoa de Santa Iria na “Praça das Cores”
João Pereira, também conhecido como Bugster, é grafitter e está a transformar o Mercado do Levante, na Póvoa de Santa Iria, num parque dedicado à arte urbana

A melhor forma de arte e a única que faz sentido é a arte de viver, o resto são coisas que deixamos para trás. A frase é do grafitter João Pereira.

A melhor forma de arte e a única que faz sentido é a arte de viver, o resto são coisas que deixamos para trás. A frase é do grafitter João Pereira, Bugster para os amigos, que aos 37 anos está a transformar o Mercado do Levante, na Póvoa de Santa Iria, num parque dedicado à arte urbana. A ideia do projecto “Praça das Cores” é dar vida e identidade àquele espaço que recebe a feira uma vez por semana, às sextas-feiras, e que pouco mais serve do que parque de estacionamento e concentrações nocturnas de jovens. Com o novo conceito todas as pessoas podem fazer uma intervenção de qualquer natureza no muro legal que vai ficar disponível para pintar. Na Europa existem vários sítios como este, mas poucos em Portugal e por isso João Pereira acredita que será um futuro pólo de atracção.
O contacto do artista com o desenho começou no Forte da Casa, onde ainda reside, quando em 1994 imaginou um jornal local em que desenhava a capa, imaginava títulos e acontecimentos tal como via na televisão. Começou a desenhar os bonecos que estavam em voga na altura e ganhou um concurso escolar com uma referência a uma aldeia no Alentejo que tirou de um livro do Triângulo Jota. Nos anos 90 transportou o gosto pelo desenho para os graffitis. Numa fase inicial copiava para o papel o que via nas paredes. O primeiro desenho foi nas traseiras de um prédio no Forte da Casa. “Lembro-me que não comia na escola para comprar latas para desenhar uma vez por semana”, conta. E foi no Forte, à época com uma comunidade activa no graffiti, que contactou com outros artistas que são hoje conhecidos no panorama nacional e internacional como Bordalo II ou Vhils.
Aos 20 anos foi estudar Design e Comunicação na Faculdade de Belas Artes e quando terminou o curso começou a trabalhar em agências de publicidade. Pintava só uma ou duas vezes por ano, mas sempre a acompanhar o que se passava no meio. O facto de estar a trabalhar em comunicação sentia que estava próximo dos projectos que queria fazer. Após sete anos a trabalhar em publicidade sentia-se “como um hamster numa gaiola”. Adquiriu conhecimento, juntou dinheiro, e decidiu arriscar concretizar as ideias que tinha na cabeça. “Mantive alguns clientes e passei a trabalhar como freelancer. À medida que o tempo foi passando canalizei os recursos que tinha para reactivar as minhas ideias e voltar a pintar mais graffiti. Concilio as duas actividades e procuro trabalhos de autor e colaborativos em que posso colocar a minha linguagem”, explica. João Pereira desenvolveu projectos próprios e entre os trabalhos mais visíveis está o mural do Museu do Ar, em Alverca do Ribatejo, e a ciclovia, na Póvoa de Santa Iria. Com o canal de comunicação institucional aberto propôs à freguesia da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa transformar o Mercado do Levante. A ideia foi aceite e a “Praça das Cores” vai ser inaugurada durante as Festas em Honra de Nossa Senhora da Piedade no dia 2 de Setembro, pelas 17h00. Para além da pintura ao vivo será um encontro de artistas.
João Pereira considera-se um artista racional e analítico. “O pensamento de um artista urbano é muito semelhante ao pensamento de um artista tradicional ao nível do método e organização. Mas é mais consensual e estruturado. O que partilha em comum com o graffiti é o uso do espaço público e colocar-se perante o crivo das pessoas. Mas o resto é diferente. O graffiti é uma coisa indomada e a arte urbana é mais domesticada, no bom sentido”, sublinha.
João Pereira confessa que gostava que o concelho de Vila Franca de Xira crescesse mais na expressão de todas as artes e que fosse menos dormitório. A comunicação tem de ser melhorada até porque enquanto cidadão diz que tem de procurar bastante para estar informado sobre os eventos culturais locais.

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