Cultura | 11-09-2023 18:00

Festas de Abitureiras são um exemplo de amor à terra

Festas de Abitureiras são um exemplo de amor à terra
Alguns dos vários voluntários que fazem com que nada falte durante os quatro dias das Festas das Abitureiras

Associação Abitureiras em Festa foi criada a 13 de Abril deste ano com a finalidade de organizar as festas da aldeia, que até agora eram responsabilidade de uma colectividade ou instituição da freguesia.

Todos os anos um vasto grupo de voluntários trabalha afincadamente para que a festa anual do início de Setembro seja uma das mais participadas do concelho de Santarém.

A Associação Abitureiras em Festa foi criada a 13 de Abril deste ano por um grupo de pessoas de diversas faixas etárias com o intuito de organizar as festas, como já vinha sendo falado há vários anos. Habitualmente, em cada ano cabia a uma colectividade ou instituição da freguesia organizar a festa. A actual direcção da Abitureiras em Festa vai organizar os festejos durante dois anos seguidos, explica a O MIRANTE Filipe Mendes, tesoureiro.
O presidente da Associação Abitureiras em Festa, Rui Madeira, anda num frenesim de um lado para o outro para garantir que nada vai falhar no primeiro dia da festa, na sexta-feira, 1 de Setembro. O vice-presidente José Luís Paulino e o tesoureiro Filipe Mendes estão noutra zona a tratar dos últimos pormenores. Durante os quatro dias de festa passaram pelo recinto cerca de cinco mil pessoas, uma número que a associação pretende aumentar todos os anos. José Luís Paulino refere que conseguiram aumentar a colocação do número de mesas na restauração: 19 no interior, com capacidade para dez pessoas e 16 mesas no exterior. Também fizeram algumas obras na zona da cozinha que está mais espaçosa e com melhores condições de trabalho.
Na cozinha a azáfama também é grande. Já há batatas a fritar numa máquina e há quem prepare arroz de feijoca. Maria Ruivo, de 68 anos, já perdeu a conta aos anos que ajuda na festa da sua terra. Este ano teve um problema de saúde e não sabia se podia ajudar mas decidiu ir. “Avisei que faço o que posso, quando não conseguir sento-me e descanso um bocado”, conta a O MIRANTE enquanto corta alface e a coloca num alguidar grande. Maria Ruivo diz que todos se dão bem porque são uma equipa de voluntários que se entreajuda há muitos anos e todos querem o melhor para a sua terra.
Ana Maria Batista, de 56 anos, à semelhança da maioria dos voluntários, tirou férias durante os dias da festa para poder ajudar. Na cozinha coloca as batatas já cortadas em palitos na fritadeira. Ao lado ouve-se a máquina já a lavar loiça. Chegou por volta das 14h00 para começar a orientar as refeições que vão ser servidas. “No ano passado, no sábado, servimos mais de 1.200 refeições. Eram duas da manhã e ainda estávamos a cozinhar. Dá trabalho mas é disto que gostamos e quantas mais refeições servimos significa que há cada vez mais clientes e eles são fundamentais para angariarmos dinheiro para a nossa terra, que tanto precisa”, sublinha Ana Maria Batista que é voluntária há 15 anos.
Na zona principal da cozinha está António Correia, 60 anos. É a primeira vez que ajuda na festa das Abitureiras. “Pediram-me se podia ir ajudar na cozinha e como faço de tudo um pouco vim ajudar. Temos que nos ajudar uns aos outros. Se não for assim não vale a pena cá andarmos”, reflecte enquanto corta chouriço em pedaços.

Querem melhorar infraestruturas e aumentar espaço de restauração
Os dias antes de se iniciarem as Festas de Abitureiras são de muito nervosismo para que nada falhe durante quatro dias. Por amor à terra os voluntários mal vão à cama e a família nestes momentos fica um pouco em segundo plano. O grupo que integra a Associação Abitureiras em Festa começou a preparar a principal festa da freguesia em Dezembro do ano passado. Tiveram apoio financeiro e logístico da junta de freguesia e da Câmara de Santarém. Só em artistas musicais investiram mais de 16 mil euros.
O dinheiro que conseguiram angariar durante as festas é para pagar as despesas e o que sobrar é para investir no melhoramento de infraestruturas no recinto como equipamentos novos para a cozinha, aumentar o espaço de restauração e construir infraestruturas sanitárias. “Todos queremos o mesmo: tornar esta freguesia cada vez mais apelativa e dinâmica”, destacou Filipe Mendes. O vice-presidente José Paulino defende que querem elevar cada vez mais o nível das festas com melhores condições para todos e investir num cartaz sempre apelativo.
A Abitureiras em Festa conta com um grupo de dezenas de pessoas entre jovens e mais velhos. A direcção da associação considera que o futuro da terra e do associativismo está garantido mesmo que não seja fácil, confessam, atrair os mais jovens para o associativismo. “Não podemos deixar morrer o associativismo. Temos que criar condições para que os jovens se interessem pela sua terra e queiram continuar a dar vida às festas que são o momento mais alto do ano na freguesia. É o amor à nossa terra que nos faz a todos continuar, mesmo que tudo dê muito trabalho”, conclui Filipe Mendes.

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