Festival Celestino Graça em Santarém é ponto de encontro de várias culturas

O Festival Celestino Graça, também conhecido como a Festa das Artes e das Tradições Populares do Mundo, recebeu na Casa do Campino, em Santarém, várias actuações de grupos de rancho folclórico de diferentes países.
A O MIRANTE elementos do rancho folclórico da Polónia e da Costa Rica contaram um pouco sobre a sua história e a experiência vivida no evento.
Artur Sowinski e Monika Hildebrand, de 52 e 48 anos, respectivamente, são dois membros do Rancho Folclórico da Polónia que esteve presente na edição deste ano do Festival Celestino Graça. Artur Sowinski é dançarino no grupo há 18 anos, ainda que de forma amadora. Monika Hildebrand é coreógrafa profissional, para além de ter actuado durante a sua carreira artística como dançarina profissional. O grupo foi fundado em 1985 na cidade de Zamość. Segundo Artur Sowinski, participar em festivais pelo mundo fora é uma grande oportunidade de aprender sobre diferentes culturas e conhecer pessoas. Alguns elementos do vestuário são preparados pelos próprios elementos do grupo, enquanto outros são feitos por costureiros profissionais, à mão, em pequenas fábricas de artesanato, explica a O MIRANTE.
O grupo tem mais de duas centenas de elementos de várias idades. Monika Hildebrand começou a sua carreira artística no grupo quando ainda era adolescente em Zamość, cidade polaca, até se ter mudado para Varsóvia. Foi cantora e dançarina de um grupo profissional de folclore. Após o tempo em que residiu em Varsóvia, Monika regressou ao grupo de folclore em Zamość, do qual já tinha feito parte, mas desta vez como coreógrafa, instrutora e professora. Através do seu trabalho Mónica é capaz de combinar a sua paixão pelo folclore com a vida profissional, uma forma que a coreógrafa tem de se sentir realizada, afirma.
Os grupos europeus de folclore apresentam uma cultura um pouco similar, mas grupos da América dão a conhecer uma cultura completamente diferente. “A música do grupo da Costa Rica é completamente diferente da nossa música [polaca]. É muito expressiva e muito mais barulhenta”, revela, entre risos, Artur Sowinski.
Escalabitanos são povo acolhedor
Carlos Richmond dança no Rancho Folclórico da Costa Rica há 15 anos. O bailarino e director do grupo estabeleceu uma ligação com o folclore por incentivo da sua mãe. Já esteve em Portugal em 2014 e confessa que há vários anos que pensava no seu regresso. “Portugal é um país muito bonito e surpreendente. A população é muito acolhedora e por isso tinha de conhecer Santarém”, explica, acrescentando que os escalabitanos os receberam com muita simpatia. Os trajes que os diferentes membros do grupo possuem são originais de diferentes províncias da Costa Rica, como Guanacaste e Puntarenas. Além disso, alguns trajes distinguem-se pela “alegoria” que fazem às cores da bandeira da Costa Rica: branco, azul e vermelho. Ashly Solís, 25 anos, é sobrinha de Carlos e explica que começou a dançar folclore por volta dos 10 anos. Aproveitou, juntamente com alguns membros do grupo, para visitar algumas das igrejas de Santarém, confessando-se surpreendida com a beleza do património da cidade. As frases em latim escritas nas paredes de algumas das igrejas despertaram o interesse da jovem dançarina, formada em filologia espanhola.