Cultura | 08-10-2023 07:00

“Minha poesia nunca trairá os homens”: Obra de Sidónio Muralha foi recordada em Santarém

“Minha poesia nunca trairá os homens”: Obra de Sidónio Muralha foi recordada em Santarém
Helen Butler, viúva de Sidónio Muralha, em videoconferência com a Casa do Brasil em Santarém

A obra poética de Sidónio Muralha foi apresentada na Casa do Brasil, em Santarém, com apresentação da viúva do escritor e de Jaqueline Conte, uma das curadoras do livro.

A participação de José Raimundo Noras no livro que reúne a obra poética completa de Sidónio Muralha foi pretexto para o lançamento em Santarém do livro editado pela Busílis & Trinta Por Uma Linha. O evento teve lugar a 30 de Setembro, na Casa do Brasil, e contou com a participação da viúva do escritor e presidente da Fundação Sidónio Muralha.
Sidónio Muralha (1920-1982) é uma figura marcante do neo-realismo e um intelectual que viveu exilado e, mesmo depois do 25 de Abril, optou por viver no Brasil onde constituiu família. Helen Anne Butler Muralha, com quem Sidónio Muralha casou em 1978, é actualmente presidente da fundação. “A poesia preencheu, até inundou a casa, tanto no modo físico, através de livros, como se reproduzindo em fracções de papel, em guardanapos, até de pano, palitos de caipirinha. Sidónio Muralha tinha grande facilidade em marcar qualquer acontecimento, importante ou corriqueiro, com inspiração poética, realçou Helen Butler que reconheceu ainda que o marido “escrevia não como rotina, mas por impulso” e que no Brasil era mais conhecido por escrever literatura infanto-juvenil.
Sidónio Muralha vivia e trabalhava no Congo Belga quando viajou para o Brasil. Helen Butler conta que “todo o montante recebido na rescisão do trabalho como director geral da Unilever no Congo Belga por ocasião de sua independência, foi investido na criação da primeira editora voltada exclusivamente para o público infantil, chamada Giroflé, que tinha um amplo projecto pedagógico e envolveu muitas pessoas ligadas à cultura. Vivendo em época de ditadura salazarista e de grandes diferenças sociais, Sidónio tomou o caminho do Neo-realismo português, o que marcou com intensidade a sua obra, tanto em prosa como na poesia”.
“Escrever é participar. É uma forma de alertar as consciências, tentar construir um mundo mais decente e mais limpo. Calar é ser conivente”. “Nasci homem antes de ser poeta. Minha poesia nunca trairá os homens, meus velhos companheiros”, citou Helen Butler, acrescentando que Sidónio Muralha dizia que “poesia e organização podem salvar o mundo”. Para realçar o seu empenho na liderança da Fundação e a sua entrega à memória da Obra do marido, Helen Butler recordou que ele lhe legou a responsabilidade de ela ser “a vida em sua morte”. Jaqueline Conte, José Raimundo Noras, Roseli Boschilia e o editor do livro também participaram na sessão.

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