Cultura | 07-02-2024 07:00

Festas de Aldeia da Ribeira são ponto de encontro e união da comunidade

Festas de Aldeia da Ribeira são ponto de encontro e união da comunidade

Festejos na aldeia da freguesia de Alcanede, concelho de Santarém, realizaram-se de 26 a 29 de Janeiro. Esta é uma festa com mais de um século de existência e só não se realizou durante os dois anos de pandemia.

Quem não vive na aldeia faz questão de regressar à terra natal nos dias das festas. É uma iniciativa que conta com o apoio de toda a comunidade. A juíza da festa deste ano receia que as festas acabem por falta de interesse dos mais jovens em dar continuidade ao trabalho da comissão.

Com capas vermelhas vestidas por cima da roupa os elementos da Comissão de Festas do Centro Cultural e Recreativo de Aldeia da Ribeira terminam o peditório de sábado, 27 de Janeiro, por volta das 14h00 e reúnem-se junto ao largo da igreja antes de irem almoçar e regressar para a missa e procissão. A manhã foi passada a percorrer parte da localidade onde decorreram as Festas em Honra de São João Crisóstomo, na Aldeia da Ribeira, concelho de Alcanede, entre 26 e 29 de Janeiro.
Como já é tradição, pelas 08h30, a comissão de festas vai receber a Banda Filarmónica de Alcanede à entrada da aldeia e acompanha-a ao largo da igreja. Junto ao coreto, construído pela comissão de festas com o dinheiro angariado durante os festejos, está um pequeno-almoço para os elementos da banda e para quem participa no peditório, que dura toda a manhã. A banda dá outra alegria com as suas músicas.
As festas da aldeia do concelho de Santarém realizam-se há mais de um século e só não aconteceram durante os dois anos da pandemia. Quem foi viver para fora faz questão de regressar à terra natal nos dias das festas. Na procissão, que se realizou na tarde de sábado, cerca de 300 pessoas integram o cortejo. Na noite de sexta-feira cumpriu-se mais uma tradição de acender uma fogueira grande que ficou a arder perto do largo da igreja e que junta ali a população e todos os que gostam da festa, onde se comem tremoços e torresmos. Na sacristia é colocado um barril de vinho, onde as pessoas que vão beber dizem que é para dar sorte para o ano inteiro.
Na manhã de domingo repetiu-se o peditório, desta vez acompanhado pela banda do Xartinho. À tarde houve leilão de fogaças e até já virou tradição fazer leilão de chouriços. No final assam-se os enchidos no largo e todos comem. Tanto o leilão como a quermesse, os patrocínios e os peditórios servem para angariar dinheiro para investir na festa mas também em espaços para a aldeia. Ao longo dos anos a comissão de festas já conseguiu construir o coreto, junto à igreja da aldeia - que se tornou ponto de encontro de todos os dias - a casa mortuária e o edifício onde se realiza a quermesse.
O fogo-de-artifício é uma tradição e está a cargo de José Cardoso que vem de propósito da Batalha [distrito de Leiria] para esta festa. O fogueteiro lembra-se de, em criança, acompanhar o seu avô de carroça quando era ele a lançar o fogo-de-artifício. Os juízes da festa desde ano foram Liliana Ramos, de 39 anos, e Norberto Alexandre, de 42 anos, que tinham ocupado os mesmos cargos há cerca de 20 anos e quiseram repetir a experiência que dizem ser trabalhosa mas gratificante. “Gostamos de trabalhar em prol da nossa terra e estas festas são o ponto alto da nossa aldeia”, afirma Liliana Ramos a O MIRANTE.

Receio que festas acabem por falta de voluntários
A juíza da festa tem receio que, no futuro, as festas possam acabar por falta de interesse dos mais novos em integrar a comissão de festas. Liliana Ramos explica a O MIRANTE não ser fácil recrutar jovens para os órgãos sociais da colectividade nem para a comissão de festas. “É uma dificuldade que temos tido nos últimos anos. Há jovens que ajudam na festa mas não querem pertencer à comissão. Sabemos que isto dá muito trabalho. São mais de três meses a preparar a festa e ocupa-nos muito tempo mas podemos ser surpreendidos e aparecerem jovens dispostos a pegar na comissão e dar-lhe sangue fresco. Torcemos para que isso aconteça”, refere.
Liliana Ramos diz que a comissão de festas é composta quase sempre pelas mesmas pessoas e que vão rodando entre eles o papel de juízes da festa. A voluntária, que é auditora externa de profissão e também vereadora na Câmara de Santarém, sublinha que os elementos da comissão estão cansados e que tem que haver sangue novo para dar continuidade à festa e à tradição da aldeia.

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