Cultura | 25-02-2024 21:00

Teatro Experimental Torrejano regressa passado meio século

Teatro Experimental Torrejano regressa passado meio século
Eduardo Dias e Pedro Marujo na exposição do Teatro Experimental Torrejano, na Biblioteca Municipal de Torres Novas

Eduardo Dias e Pedro Marujo reactivaram o Teatro Experimental Torrejano após 50 anos de inactividade. Encenadores pretendem dar continuidade ao projecto com o objectivo de criar, formar e transformar a realidade cultural do concelho. Mas para isso precisam de ter acesso a apoios, afirmam.

O Teatro Experimental Torrejano (TET) foi reactivado no passado mês de Janeiro pelos actores e encenadores, Eduardo Dias e Pedro Marujo, depois de meio século de paragem. Em 1973, um grupo de jovens com o desejo de mudança, reuniu-se para conversar sobre a situação do país, no Centro de Juventude de Torres Novas. Decidiram fazê-lo através da criação de um grupo de teatro, o núcleo de teatro experimental do Centro de Juventude, dirigido pelo encenador António Lúcio Vieira, onde ousaram representar peças arriscadas na época do Estado Novo para mostrarem diferentes visões e perspectivas a quem assistia. Em 1975, já a viver em democracia, muitos dos elementos originais do grupo formaram o Teatro Experimental Torrejano e desenvolveram várias iniciativas desde teatro para a infância, tertúlias, acções formativas e criações até 1980, quando deixaram de exercer actividade por um conjunto de razões, como por exemplo a falta de proximidade de alguns dos elementos.
Cinquenta anos depois, Eduardo Dias e Pedro Marujo decidiram fazer renascer o projecto, agora legalmente reconhecido como associação cultural, depois de dois anos a fazerem teatro informalmente para homenagearem e celebrarem um período importante na história de Torres Novas. Para conseguirem contar a história da associação conversaram com elementos que faziam parte do grupo e começaram a investigar através de notícias antigas, documentos e fotografias do TET, que compõem a exposição patente até 2 de Março, na Biblioteca Municipal de Torres Novas. O objectivo é promover a criação, formação e acompanhamento da população e das mudanças sociais reagindo através da prática teatral, com a missão de que o teatro seja um elemento transformador e que proporcione a reflexão de diversos assuntos da sociedade.
O grupo de formação conta já com 16 elementos, com idades entre os 10 e 80 anos. Alguns dos objectivos da associação são transformar a realidade cultural do concelho e ter acesso a fundos públicos e uma relação institucional com o Ministério da Cultura. Actualmente o TET não beneficia de nenhum apoio, excepto de uma cedência de espaço da Associação de Defesa do Património de Torres Novas (ADPTN), uma vez que só recentemente têm enquadramento jurídico e ainda não tiverem tempo de actividade suficiente para fazerem candidaturas ao a apoios do município. Os exercícios de teatro que fazem são “à medida das possibilidades”, como uma associação autossustentável com a ajuda do contributo mensal dos formandos. O desenvolvimento de parcerias que promovam a cultura são uma “mais-valia” e também fazem parte dos planos para que, no futuro, possam criar condições de acolhimento das criações do TET e até em processos de serviço educativo. “Consideramos que também podemos trazer conteúdos novos e uma oferta diferente de forma a haver alguma diversidade”, afirmam os encenadores, acrescentando que querem levar o nome da cidade a outros locais a partir do teatro.

César Ruivo e as memórias com 50 anos

César Ruivo, de 68 anos, foi um dos elementos que fez parte do grupo de teatro do Centro de Juventude e que esteve presente na exposição do TET. Teve a sua primeira experiência em teatro aos 14 anos, quando participou numa peça final de ano para toda a escola. Recorda os tempos em que se juntava com os amigos no Centro da Juventude de Torres Novas. O grupo foi crescendo e fizeram grande produções, em que César Ruivo desempenhou alguns papéis principais, conta a O MIRANTE. As peças tinham um conteúdo ousado para a época. Diferenciavam-se na forma como se apresentavam em palco, na dicção e nas críticas ao regime. A PIDE, segundo recorda, chegou mesmo a assistir a um ensaio em que tiveram de mudar o desfecho para não serem censurados. Aos 18 anos teve de desistir quando foi para Lisboa estudar e trabalhar, não tendo qualquer contacto com o mundo do teatro desde essa altura devido à profissão de arquitecto que lhe ocupa grande parte do tempo.

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