Cultura | 26-02-2024 10:00

A música é um porto de abrigo nos maus momentos

A música é um porto de abrigo nos maus momentos
Elisabete Silveira toca guitarra eléctrica e tem aulas de música há cinco anos. Madalena Carrasco descobriu o piano através das redes sociais durante a quarentena

Aprender a tocar um instrumento musical pode ser terapêutico. Madalena Carrasco aprendeu a tocar piano durante a quarentena e acabou por ter aulas de música. Elisabete Silvério está a aprender a tocar AC/DC na guitarra eléctrica e tem aulas de música há cinco anos.

A estudarem as duas no décimo ano, na Escola Secundária de Benavente, são peremptórias em dizer que tocar é bom para a ansiedade e para se manterem focadas.

A música pode ser um antídoto para aliviar o stress e a ansiedade. Que o digam Madalena Carrasco e Elisabete Silvério, ambas com 15 anos e residentes em Benavente. Estudam no 10º ano na Escola Secundária de Benavente e em comum têm as aulas de música e o gosto por aprender a tocar um instrumento distinto.
Madalena Carrasco descobriu o piano durante uma das quarentenas impostas na altura da pandemia de Covid-19. Através das redes sociais começou a ver vídeos de pessoas a tocar piano e fascinou-se pelo som. Pediu aos pais um teclado básico e simples e começou a tocar para se entreter. Aprendeu pela Internet as notas e começou pelas músicas mais simples, ao mesmo tempo que tirava apontamentos. A mãe incentivou-a a querer aprender mais e sugeriu-lhe ter aulas de piano.
A jovem ainda resistiu algum tempo porque a ideia de ir para um sítio onde não conhecia ninguém era assustadora. “Ela andou a convencer-me e comecei a ter aulas de música com o professor Carlos Marques, que me tinha dado aulas no quinto ano. Achei que ia ser algo assustador mas surpreendeu-me pela positiva. Desde 2022 tenho aulas de piano uma vez por semana, uma hora por dia”, conta. Toca todos os dias para não perder o que treina nas aulas. Agora no piano com pés de madeira que os pais lhe ofereceram. Com o professor concilia a aprendizagem das músicas clássicas de Mozart e Beethoven com canções que gosta, nomeadamente italianas.
Quando os pais recebem os amigos e familiares toca para eles e já actuou em público nas galas da escola de música. O futuro profissional deverá passar pela tradução, dado o gosto que tem por línguas, mas sem deixar a música. “Para mim o piano é como se fosse um porto seguro. Estou triste toco, estou despachada da escola vou tocar, acalma-me”, diz.
Uma família de músicos
Desde pequena que Elisabete Silvério ouvia a irmã a cantar e a tocar piano e guitarra. Mas foi o pai que lhe perguntou se queria ter aulas de bateria. Começou a aprender mas depois desinteressou-se e o pai sugeriu que aprendesse guitarra. Começou a ter aulas há cinco anos com o professor Carlos Marques, além de aprender acordes pela Internet. O que mais gosta são os solos das bandas de rock. Nirvana, Guns N’ Roses e Metallica fazem parte das suas preferências musicais. Não liga muito à música portuguesa e, para ela, Slash é o melhor guitarrista. “O meu pai já teve uma banda e tocava guitarra. Ele quer que eu aprenda determinadas músicas e que as toque bem. Às vezes sentia que tinha de fazer com que o meu pai ficasse orgulhoso. A música uniu-nos”, revela.
Elisabete Silvério toca guitarra eléctrica em casa mas não faz barulho porque tem auscultadores. A contar com as guitarras do pai, entre clássicas e eléctricas, tem cinco. “A guitarra para mim é um meio para aliviar o stress e ansiedade. Quando estou triste vou tocar guitarra, quando não tenho nada para fazer toco guitarra. Há dias que não tenho motivação para o fazer mas outros quero aprender mais uma nova música”, diz.
Chegou a ter uma banda com amigos mas como não tinham sítio para ensaiar acabou por cada um seguir o seu caminho. Mas não esconde que gostava de integrar uma banda e ser guitarrista profissional e talvez professora de música. Já actuou em público com a irmã e nas galas da escola de música. O receio de errar algum acorde faz com que não publique muita coisa nas redes sociais.

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