Cultura | 20-03-2024 21:00

Associação de Identidade e Memória trabalha para preservar o passado do Vale de Santarém

Associação de Identidade e Memória trabalha para preservar o passado do Vale de Santarém
Da esquerda para a direita: Manuel João Sá, presidente da direcção, com Edmundo Oliveira (vogal) e Alfredo Sá (tesoureiro), dos órgãos sociais da associação Identidade e Memória

Associação Cultural Vale de Santarém Identidade e Memória existe para dar a conhecer a história da vila tal como as personalidades que por ela passaram. Manuel João Sá é o presidente da direcção e não esconde o amor à terra e a vontade que tem em trabalhar para aproximar a associação da população.

Almeida Garrett, Luís Augusto Rebelo da Silva e João Silva Nogueira, o último também conhecido como João D’Aldeia, são três personalidades às quais a Associação Cultural Vale de Santarém Identidade e Memória (ACVSIM) tem vindo a dedicar atenção. Constituída em 2018, a associação começou por chamar-se “Grupo Vale de Santarém-Identidade e Memória”. Em 2016 iniciou-se o projecto “Histórias de Vida e Memórias do Vale de Santarém” onde foram conduzidas entrevistas que retrataram a história da localidade. O entrevistador foi Manuel João Sá, 78 anos, actual presidente da direcção da associação.
A ACVSIM visa cultivar o sentimento de pertença ao Vale de Santarém, elevado a vila em 21 de Junho de 1995. O espaço de trabalho da associação são duas salas no recinto do edifício da antiga escola primária Aristides Graça. Manuel João Sá frequentou a escola entre 1953 e 1957. O dirigente decidiu há alguns anos escrever um livro com as memórias do tempo de criança, muito marcado pelo amor à terra que, confessa, nunca desapareceu, mesmo quando decidiu ir viver mais próximo da capital do país.
Sentado ao lado de Manuel João Sá, durante a conversa com O MIRANTE, Edmundo Oliveira, de 69 anos e vogal da direcção, conta como foi trabalhar três décadas no ramo automóvel e pertencer ao grupo de Teatro Amador do Vale de Santarém. Um dos objectivos no plano de actividades para 2024 é ter um espaço que sirva como sede da associação para assegurar que a missão da colectividade é cumprida. Além disso também está nos objectivos a curto prazo chegar à centena de associados.
Manuel João Sá gostava de implementar o centro interpretativo “Viagens na Minha Terra”, inspirado na Obra de 1846 de Almeida Garrett, que narra uma viagem de Lisboa até Santarém. Em 2022 foi dedicado um ciclo de conferências a Luís Augusto Rebelo da Silva, deputado, par do reino e ministro no séc. XIX. A 17 de Fevereiro de 2024, com a realização de uma conferência acerca da batalha de Almoster de 18 de Fevereiro de 1834, um dos desejos de longa data de Manuel João Sá foi cumprido. Fernando Rita, historiador e militar que conduziu a conferência, deu cor e vida à história que já vinha sendo contada pela família do dirigente associativo.
Desde 2022 que a associação tem concorrido ao Programa de Apoio ao Associativismo e Agentes Culturais do Concelho (PAAAC). Conta também com uma contribuição da junta de freguesia e com donativos da população. “O legado que queremos deixar é um conhecimento maior do passado do Vale de Santarém em todas dimensões possíveis”, afirma Manuel João Sá. A Associação Cultural Vale de Santarém-Identidade e Memória vai estar em representação da vila nas festas de São José que decorrem durante o mês de Março em Santarém.

Uma família dedicada ao associativismo

Aos 14 anos Manuel João Sá tornou-se sócio da Sociedade Recreativa Operária do Vale de Santarém por influência do pai, que chegou a ser presidente da direcção e presidente da assembleia-geral. O salão da associação quase centenária na rua Alferes Aguiar serve como espaço para algumas das actividades da Associação Cultural Vale de Santarém. O dirigente jogou futebol durante dois anos na Associação Juventude e Desporto do Vale de Santarém, que mais tarde passou a Atlético Futebol Clube do Vale de Santarém, clube do qual Alfredo Sá, 66 anos, irmão e actual tesoureiro da direcção, fez parte.
Alfredo Sá e Manuel João Sá são irmãos de uma família numerosa. A mãe era empregada doméstica e o pai trabalhou como guardador de ovelhas, numa mercearia/taberna e também vários anos numa fábrica de refrigerantes.

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