Cultura | 06-04-2024 18:00

“Geração D” de Matos Gomes é um retrato dos que foram da ditadura à democracia

“Geração D” de Matos Gomes é um retrato dos que foram da ditadura à democracia
Este é o quarto livro de Carlos Matos Gomes

O escritor de Vila Nova da Barquinha, um dos fundadores do movimento dos capitães que derrubou o regime ditatorial, e que foi colega de Salgueiro Maia na Escola Nun’Álvares, em Tomar, fala nesta obra de uma geração que protagonizou a mudança mas que continuou a conviver com a ideia de um glorioso passado.

O escritor de Vila Nova da Barquinha e ex-militar Carlos Matos Gomes define o seu novo livro, “Geração D”, como uma homenagem e uma autobiografia da sua geração, a que conheceu a ditadura, a Guerra Colonial e fez o 25 de Abril de 1974. Aquele que foi um dos fundadores do movimento dos capitães, que fez a revolução, refere no livro que “esta geração protagonizou a grande mudança da História de Portugal, a que acabou com a ditadura, com a guerra, com as leis da sociedade patriarcal... Mas continuou a conviver com a ideia de um glorioso passado, em simultâneo com a ilusão de um futuro maravilhoso”.
No livro, Matos Gomes explica que a “Geração D” é a geração da “Democracia, da Deserção, da Descolonização, das Doutrinas e do Doutrinar, da Discussão, da Dialética, do Desmistificar, do Desmobilizar, da Denúncia, da Desobediência, do Divórcio”, a geração que “viveu sob um regime de ‘doidos do império’” e dele se libertou. O livro toma a forma de uma “autobiografia ficcionada de uma geração”. Não é um romance. Por isso, o autor quis assumi-lo com o seu nome de baptismo, Carlos Matos Gomes: “É uma assunção desta pessoa que sou eu e que faz esta ficção tendo como narrador a personagem principal, que também sou eu”.
O autor afirmou que o livro “é o reverso do ‘Nó Cego’, o primeiro romance que escrevi, em que pretendi transmitir aos outros o que a minha geração tinha passado durante a Guerra Colonial [1961-1974]”. “Passados 42 anos, é o retrato da minha geração depois de ter passado pelo pós-Guerra [Mundial], pela guerra [colonial], pelo 25 de Abril, pelo 25 de novembro [de 1975], pela construção desta sociedade que se ligou depois, [que] voltou a integrar-se na Europa, fez a descolonização e viveu os dilemas todos, do fim de uma epopeia”, afirmou o autor.
Matos Gomes deu conta das muitas conversas que teve com o seu amigo Salgueiro Maia, o capitão de Abril que tinha sido seu colega na Escola Nun’Álvares, em Tomar, com o qual reflectia sobre o dever “para com os portugueses em geral”, o dever de “restituir-lhes a liberdade e a dignidade”. O autor realça que “a violência que as autoridades portuguesas exerciam sobre as populações africanas reflectia-se na violência com que a guerrilha nos respondia [aos militares]”, disse Matos Gomes, referindo-se à situação nos diferentes países, então sob administração portuguesa, durante a guerra colonial. Segundo Matos Gomes, “havia um conflito” entre a sua geração, “a geração militar, e a geração política, dos estudantes, dos trabalhadores”, com o regime.
Para escrever “Geração D”, Matos Gomes recorreu a diferentes fundos documentais, como o Arquivo de Defesa Nacional. Carlos Matos Gomes, 78 anos, assinou vários romances em que estava patente a temática africanista, sob o pseudónimo Carlos Vale Ferraz, como “Nó Cego” (1983), “Soldadó” (1988) e “Os Lobos Não Usam Coleira” (1991).

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