Cultura | 12-04-2024 15:00

Exposição conta como foi vivido o 25 de Abril em Tomar

Exposição conta como foi vivido o 25 de Abril em Tomar
João Paulo Pedro é investigador e estuda a história pública do 25 de Abril, surgindo assim a ideia de contar o período revolucionário em Tomar através de uma exposição na Casa Vieira Guimarães

Exposição “Abril em Tomar: História local, global, actual”, de João Paulo Pedro, pode ser vista na Casa Vieira Guimarães e conta a história de Tomar durante o período da Revolução dos Cravos.

O investigador recolheu objectos, documentos, fotografias, vídeos e notícias para mostrar o ambiente vivido na cidade.

O 25 de Abril em Portugal marca um momento histórico em que a Revolução dos Cravos pôs fim a décadas de ditadura e iniciou uma nova Era de democracia e liberdade. A história e celebração do período revolucionário não se reduz a Lisboa tendo acontecido noutras cidades, como em Tomar. Quem o conta é João Paulo Pedro, de 29 anos, investigador colaborador do TECH&ART – Centro de Tecnologia, Restauro e Valorização das Artes do Politécnico de Tomar através da sua exposição documental “Abril em Tomar: História local, global, actual”, na Casa Vieira Guimarães, com objectos, fotografias, vídeos e documentos como jornais da semana de celebração entre 25 de Abril e 1 de Maio, assim como dos 19 meses seguintes.
No dia 25 de Abril de 1974, além do encerramento de bancos e cafés, os tomarenses tiveram conhecimento do que estava a acontecer através da rádio e televisão apesar do sentimento de incerteza e apreensão. O capitão Hugo Santos já tinha deixado a cidade na noite anterior para se juntar aos oficiais do Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas (MFA), em Lisboa. Foi a 27 de Abril que a revolução chegou em pleno à cidade tomarense com a primeira manifestação de aclamação do MFA; e quando o coronel Francisco José Morais chegou a Tomar para substituir o comando da região militar local e descobriu que este já tinha aderido ao movimento depois do general António de Spínola ter assumido a Presidência da República.
O ambiente vivido no concelho era de celebração, que culminou na maior manifestação de todo o período revolucionário a 1 de Maio, com milhares de pessoas a encher a Praça da República com cartazes e cravos vermelho cantando o hino nacional. Nas ruas da cidade gritava-se “o Povo unido jamais será vencido”, as bandas filarmónicas animavam o ambiente, as ruas e cafés estavam cheios de gente a falar do acontecimento, além da grande adesão ao cine-teatro que passava filmes até então proibidos.

“O 25 de Abril foi um período único”
Ao longo dos 19 meses seguintes viveu-se um período de construção e disputa pelo futuro. “A democracia foi feita por todas as pessoas que tomaram para si o direito democrático de participar e construir o país pelas próprias mãos, exercendo muitas das liberdades que hoje associamos à democracia muito antes delas próprias já estarem na legislação”, explicou o investigador.
“Quero mostrar que o 25 de Abril foi um período único, marcado pela participação activa das pessoas na política e pela crença de que é possível mudar o mundo. É um reacender da esperança que é possível fazer algo perante o futuro e que não estamos encerrados no presente”, frisou João Paulo Pedro que confessou ser apaixonado por estudar história.
“É a história que nos molda como sociedade a partir do impacto que causou na nossa vida”, disse o investigador, explicando que está a estudar a história pública do 25 de Abril e a forma como esta se tem relembrado ao longo dos últimos 50 anos. A ideia da exposição surgiu por curiosidade pessoal ao ir à biblioteca municipal para descobrir como tinha sido vivido o período revolucionário em Tomar.
A recolha de matérias demorou cerca de dois anos sendo que apesar dos materiais encontrados nos arquivos municipais e na imprensa local, há muitos “documentos e tesouros históricos” que ainda estão em baús nos sótãos de pessoas que viveram nesse período. A exposição está patente até 15 de Junho de quarta a sexta-feira, das 14h00 às 18h00, e sábados e domingos, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00.

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