Cultura | 15-04-2024 21:00

A objectiva de Alfredo Cunha ajudou a consagrar Salgueiro Maia como ícone da revolução

A objectiva de Alfredo Cunha ajudou a consagrar Salgueiro Maia como ícone da revolução
Alfredo Cunha marcou presença na inauguração da exposição de fotografia "25 de Abril de 1974 - Quinta-feira", de sua autoria, que está patente no Jardim da República, em Santarém

Alfredo Cunha era um jovem fotojornalista quando Salgueiro Maia chegou com a sua coluna militar ao Largo do Carmo, em Lisboa, para derrubar o regime ditatorial em que Portugal vivia.

Nesse dia registou imagens do jovem capitão da Escola Prática de Cavalaria, e não só, que se tornaram icónicas. Dezasseis delas estão em exposição em tamanho gigante no Jardim da República, em Santarém, para ver até 27 de Abril.

Alfredo Cunha era um jovem fotojornalista quando Salgueiro Maia chegou com a coluna militar da Escola Prática de Cavalaria (EPC) de Santarém ao Largo do Carmo, em Lisboa, para derrubar o regime ditatorial em que Portugal vivia. Durante a inauguração da exposição “25 de Abril de 1974, Quinta-feira”, que decorreu a 3 de Abril, data que assinala o 32º aniversário da morte do capitão de Abril, Alfredo Cunha recordou o dia em que esteve junto dos militares que ajudaram a transformar Portugal numa democracia. “Este conjunto de 16 fotografias que estão em exposição constitui a minha versão do 25 de Abril. Limitei-me a seguir o capitão Salgueiro Maia porque era ele que mandava, percebi que era o líder. Andei sempre perto dele e foi assim que consegui fazer estas fotos, que são o principal trabalho da minha carreira”, referiu o fotógrafo enquanto explicava como e onde os registos foram tirados.
A exposição “25 de Abril de 1974, Quinta-feira” percorre o dia da Revolução dos Cravos. Alfredo Cunha defende que nestes tempos é bom “termos um herói que não é corrupto e não quis nada para ele. A única coisa que ele queria era voltar para casa e que o tratassem com dignidade”, afirmou. A seu lado, a viúva de Salgueiro Maia, Natércia Maia, recordou o dia em que Mário Soares, durante uma campanha eleitoral, visitou o capitão na sua casa, em Santarém. “Estiveram à conversa na sala mas só o meu marido é que fazia perguntas sobre as decisões políticas. Passado um tempo o director de campanha teve que interromper e disse ‘já chega de massacre, é hora de almoçar’”, contou Natércia Maia para descrever a personalidade forte do seu marido.

“O legado de Salgueiro Maia obriga-nos a estar atentos”
As 16 fotografias vão estar em exibição no Jardim da República, em Santarém, até 27 de Abril. Antes da inauguração da exposição realizou-se o tradicional tributo a Salgueiro Maia, junto à sua estátua. Cerca de uma centena de pessoas participou na iniciativa, que marcou o início das comemorações do 25 de Abril no concelho. No Jardim dos Cravos estiveram familiares e amigos de Salgueiro Maia, autarcas, antigos camaradas de armas e populares. Antes da deposição de flores junto da estátua de Salgueiro Maia, durante os discursos, o vice-presidente da Câmara de Santarém, João Leite, agradeceu a “bravura e coragem de Fernando Salgueiro Maia em derrubar o regime ditatorial que vigorava em Portugal em 1974.
“A revolução de 25 de Abril mudou decisivamente a história portuguesa. Temos um grande orgulho da herança de liberdade que nos deixaste. Meio século depois valeu a pena a audácia do nosso capitão. Orgulhemo-nos do país livre que somos, do país moderno, desenvolvido, culto, com índices de desenvolvimento social que se comparam aos países desenvolvidos. Temos jovens qualificados que dão ao mundo conquistas que nos devem orgulhar”, sublinhou João Leite.
O coronel Correia Bernardo, camarada de armas e amigo de Fernando Salgueiro Maia, defende que o feito do capitão de Abril permitiu terminar com o pesadelo da guerra e que os jovens passassem a sonhar com o seu percurso de vida. “Despiu o espartilho social das mulheres e abriu janelas às suas legítimas ambições de vida em igualdade”, referiu, acrescentando que a democracia parece firme, mas “há vozes que a fazem tremer e sussurram veladamente que precisa de ir embora. O legado de Salgueiro Maia obriga-nos a estarmos atentos e vigilantes”, defendeu.

Cerca de uma centena de pessoas participou no tradicional tributo a Salgueiro Maia que decorreu no Jardim dos Cravos junto à sua estátua

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