Cultura | 24-04-2024 21:00

A arte é mais forte que as balas e faz mudar mentalidades

A arte é mais forte que as balas e faz mudar mentalidades
Grupo de 50 pessoas está a ensaiar um musical que vai levar a palco nos dias 19 e 20 de Abril

O Grupo de Música Popular Flor do Trevo, de Alverca, nasceu em 2008 pelas mãos de um grupo de apaixonados pelas canções tradicionais para quem a arte é um poderoso escape para o dia a dia. Dia 15 de Abril celebra-se o Dia Mundial da Arte e O MIRANTE foi conhecer um grupo de pessoas que não consegue viver sem ela.

Ser artista amador é uma libertação e um escape para os problemas e desafios do dia-a-dia para os membros do grupo Flor do Trevo, de Alverca do Ribateja, uma associação criada a 31 de Janeiro de 2008 para celebrar e dar a conhecer a música tradicional portuguesa, da região mas também do resto do país. Dia 15 de Abril celebra-se o Dia Mundial da Arte e Manuela Matosa, Jorge Matosa e João Ramalho, presidente do grupo, não têm dúvidas que é a mais potente das armas ao dispor da comunidade. “A cultura é mais forte que uma bala. É muito importante e faz movimentar pessoas e mentalidades”, defendem.
Para João Ramalho, de Vialonga, ser artista amador é uma paixão que já vem de longe. Começou jovem no teatro e foi fundador do Rancho da Casa do Povo de Vialonga. “Ser artista amador é uma libertação. É podermos fazer o que muitas vezes pensamos impossível na vida real. É um escape para o dia-a-dia. Somos todos artistas amadores e fazemos isto nos nossos tempos livres por gosto”, explica, notando que quando vê a plateia a cantar com o grupo sente uma grande emoção. As palmas, garante o grupo, são a melhor recompensa que se pode ter.
Até ao Outono, a União de Freguesias de Alverca do Ribatejo e Sobralinho está a promover o programa Descentralidades, que visa levar a cultura e o desporto a todos os bairros da freguesia e os Flor do Trevo responderam à chamada criando um musical que vai subir ao palco nos dias 19 e 20 de Abril, às 21h00, no Centro Cultural do Bom Sucesso, com o apoio da câmara e da junta. “Alentejo Simplesmente” é um musical a duas cores, retratando o Alentejo cinzento do fascismo com a animação e cor de um futuro em liberdade. É encenado por Madalena Mota Soares e para o concretizar o grupo reuniu um conjunto de 50 pessoas, algumas vindas de outros grupos e colectividades do concelho, incluindo o grupo Unidos do Baixo Alentejo e os Cantares da associação de reformados ARPIA, ambos de Alverca.
“Num espírito de Abril conseguimos juntar um agregado de pessoas importante, quando isso é difícil. Por incrível que pareça, há muita rivalidade. Às vezes as pessoas não gostam de sair do seu casulo para fazerem outras coisas em conjunto, mas aqui conseguimos juntar este grupo enorme onde as pessoas se sentem bem e estamos muito felizes”, conta João Ramalho. Os ensaios para o musical duram desde Setembro do ano passado, dando uma ideia do empenho que o grupo tem colocado no evento. À data de fecho desta edição restavam poucos bilhetes para as duas sessões, antevendo-se uma lotação esgotada.

Raízes alentejanas em Arcena e Bom Sucesso
A presença de moradores com raízes e ligações ao Alentejo nos bairros de Arcena e Bom Sucesso, em Alverca, é muito comum, com um movimento migratório que data às décadas de 50 e 60 do século passado, quando muitos alentejanos se fizeram à estrada para procurar às portas de Lisboa melhores oportunidades de vida. Foi o caso de Manuela Matosa, que nasceu no Alentejo mas veio com os pais para o Bom Sucesso quando tinha cinco anos. “Nos anos 60 praticamente toda a gente do Bom Sucesso era proveniente do Alentejo. Eu própria vim morar com os meus pais num edifício em frente ao centro cultural quando o Bom Sucesso ainda era meia dúzia de casas”, recorda com um sorriso a O MIRANTE.

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