Cultura | 29-04-2024 07:00

Futuro da Ávinho está nas mãos dos jovens

Futuro da Ávinho está nas mãos dos jovens
A paixão pela vitivinicultura foi passada a Daniel pelos pais Jorge Frederico e Ana Cristina (à esquerda) e o avô, José Salvador

A dinâmica da Festa do Vinho e das Adegas, em Aveiras de Cima, que fez 18 anos, e a viticultura da zona, está nas mãos dos jovens, salientaram os autarcas do concelho de Azambuja.

A Ávinho - Festa do Vinho e das Adegas, em Aveiras de Cima, atingiu a maioridade com a 18ª edição. Pessoas de todo o país visitaram as adegas dos vitivinicultores da freguesia do concelho de Azambuja para provar os vinhos servidos em canecas de barro alusivas à festa. No dia da inauguração da festa, 12 de Abril, tanto o presidente da Câmara de Azambuja, Silvino Lúcio, como o presidente da Junta de Freguesia de Aveiras de Cima, António Torrão, deixaram uma palavra aos jovens, dizendo que são eles que têm a responsabilidade de continuar a dinâmica da viticultura da zona.
Silvino Lúcio explicou que o objectivo do certame, que decorreu até dia 14, é promover o trabalho e dedicação dos produtores e da nova geração que está a apostar na actividade: “a vitivinicultura está presente na economia do nosso concelho e tem futuro”. Na Adega Jorge Ganão Grão-de-Bico Tonhão a ideia de juventude está bem presente. Jorge Frederico, 61 anos, conhecido por “Ganão”, alcunha que herdou do pai, e Ana Cristina, conseguiram passar ao filho Daniel, 26 anos, a paixão pela vinha e por todo o processo de criação do néctar. Daniel é camionista de uma empresa de vinhos, mas gosta mais de ter as mãos nas uvas do que no volante, tendo o sonho de vir a ter os próprios vinhos. “Ninguém quer andar à esturra do sol se tem um armazém ou um escritório”, afirma sobre os jovens da sua idade.
Jorge Frederico, que herdou a casa do avô, afirma que a adega é composta de propósito para a Ávinho, uma vez que durante o ano é uma oficina para dois carros e só produzem para consumo próprio, estando a exercer profissionalmente como pedreiro. Se antes se vendia à porta a granel, hoje o trabalho não compensa pelo facto de o negócio estar concentrado, sendo também difícil arranjar gente para trabalhar. “Não é rentável”, lança José Salvador, genro de Jorge, que trabalhou três décadas como pintor de automóveis na Ford, em Azambuja, mas que quando saía do trabalho ia “amanhar as vinhas” e metia a filha a pisar as uvas e tirá-las debaixo do esmagador.
Outro produtor, José Cunha, 70 anos, refere que vai fazendo a vinha “para brincar” com a ajuda de conhecidos que todos os anos se espalham por hectare e meio. A última colheita rendeu seis mil litros e revela que se vendeu meia dúzia de caixas “foi muito”. O pai faleceu-lhe com dois anos e meio e com cerca de 12 começou a fazer vinho com o avô. Tem uma oficina de automóveis em Aveiras de Cima porque se fosse viver da vitivinicultura “morria à fome”.

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