Cultura | 22-05-2024 21:00

O talento dos artesãos enriqueceu a Feira de Magos

Rosa Oliveira e Bertina Mota têm no artesanato um escape que as mantém activas e criativas, ajudando-as a abstraírem-se dos problemas da vida. Na Feira de Magos, em Salvaterra de Magos, as peças nascidas da sua imaginação e saber não passaram despercebidas.

Alguns artesãos do concelho de Salvaterra de Magos estiveram junto ao palco da Feira de Magos, de 9 a 12 de Maio, a expor os seus trabalhos para milhares de visitantes. Embora a adesão à feira não se reflicta nas vendas, é com amor à terra e ao que fazem que participam. O MIRANTE conversou com duas artesãs, Rosa Oliveira e Bertina Mota, que admitem que os arranjos de costura são o que vai ajudando a complementar a reforma.
Bertina Mota, 62 anos, é do Cocharro, pertencente à freguesia de Glória do Ribatejo. Aos 12 anos fugia da escola, agarrava nos bocados de tecido roubados à mãe ou recortados de camisas velhas, na agulha e nas linhas e escondia-se nas searas de trigo a costurar vestidos para as bonecas das amigas. Actualmente cose peluches, veste-os e faz as delícias das crianças que os levam para casa. Não há melhor sensação desde que ficou reformada por invalidez, há três meses, devido a um cancro, a mesma doença que levou a mãe aos 60 anos e a irmã aos 59. Ao contrário da irmã, que estudou para professora, nunca quis ir longe na escola. Aprendeu com uma costureira de Marinhais e chegou a trabalhar numa fábrica da área. Mais tarde mudou-se para a Costa da Caparica, onde trabalhou como empregada de mesa e ao mesmo tempo aproveitava para produzir os aventais de trabalho.
Já com uma filha e com saudades de casa voltou ao Cocharro, terra que diz estar “esquecida”. Na ausência do marido, emigrado no Luxemburgo, os arranjos de costura e o artesanato têm sido a sua companhia. “Sinto-me leve quando estou a costurar, senão parece que não tenho um incentivo. Amo o que faço”, afirma com ternura, enquanto mostra os chapéus, babetes e as suas carteiras em tecido. “Os tecidos estão caros, nunca coloco o trabalho no preço”, sublinha, acrescentando que recorre a material anti-alérgico para os enchimentos e prefere pintar a usar materiais que possam ser perigosos e as crianças engolirem, como por exemplo botões.
Outra das artesãs na mostra é Rosa Oliveira, 65 anos, de Benfica do Ribatejo, concelho de Almeirim. Mora em Muge há quase 40 anos e foi lá que trabalhou durante 32 anos numa fábrica de produtos de iluminação. Dos 14 aos 28 anos trabalhou nos campos de Benfica do Ribatejo durante todo o ano. Os problemas de coluna que se seguiram fizeram com que se tivesse de reformar por invalidez. Para se manter activa, e tendo já passado por uma depressão, desenvolve peças de artesanato e é voluntária no Centro de Bem-Estar Social de Muge. As peças que mais sobressaem no seu expositor são as cabaças que, curiosamente, vêm da sua horta, e transforma num belo elemento decorativo, pintadas, por exemplo, de girafas e as mais pequenas de galos. A artesã defende a dinamização de oficinas para os mais novos aprenderem artes obsoletas, como a olaria, que despertem a sua curiosidade e façam desabrochar a criatividade.

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