Cultura | 07-06-2024 21:00

Matilde Jesus vence concurso escolar com “Carta para Josefa, minha avó”

Matilde Jesus vence concurso escolar com “Carta para Josefa, minha avó”
Matilde Jesus

A Escola tem Talento é um concurso solidário do Agrupamento de Escolas do Cartaxo e este ano as receitas reverteram para a APOIAR - Associação Portuguesa de Apoio a África. Matilde Jesus, de 17 anos, aluna de artes, foi a vencedora da décima edição.

A Escola tem Talento, iniciativa organizada há uma década pelo Agrupamento de Escolas Marcelino Mesquita do Cartaxo, reuniu este ano 14 talentos do quinto ao 12º ano no Centro Cultural do Cartaxo. Matilde Jesus, 17 anos, venceu com a interpretação de “Carta para Josefa, minha avó”, de José Saramago. Olívia Xu Xi Ian ficou em segundo com “Blue and white porcelain”, de Jay Chou, ao piano; e Carolina Abreu Matias ficou em terceiro ao cantar “Riptide”, de Vance Joy, acompanhada da sua guitarra eléctrica.
Em declarações a O MIRANTE, a vencedora do concurso, aluna de artes, explica que se antes queria seguir design de produto, agora está confusa pelo bem-estar e à vontade em palco. Matilde Jesus, que não tem hábitos de leitura, conta que o interesse por declamar poemas surgiu numa actividade sobre Cesário Verde na biblioteca escolar. Após a actividade quis saber como podia continuar a declamar. A professora de português sugeriu-lhe participar em A Escola tem Talento e com o incentivo da mãe e do namorado aceitou o desafio, algo impensável há uns anos, confessa. A jovem começou por ensaiar e montar todo o cenário em casa e depois passou a fazê-lo na escola nas suas tardes livres, despendendo de quatro a cinco horas diárias a decorar o texto. Revela que os movimentos a foram ajudando com o texto e que o avô, falecido há um ano, lhe deu força para a actuação que terminou com a frase “O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer”.
A Escola tem Talento é um concurso que nasceu na Escola Secundária do Cartaxo. António Cordeiro, professor de Educação Moral e Religiosa, ficou admirado quando um aluno fez “beatbox” numa das suas aulas e lançou o desafio a Fátima de Brito, actual coordenadora do projecto, para implementarem um concurso de talentos. António Cordeiro mudou-se para o Agrupamento de Escolas da Chamusca e Nuno Caramelo abraçou o projecto como colaborador mais próximo de Fátima de Brito, que ainda tem uma equipa de professores a seu lado. O evento consta do plano anual de actividades do agrupamento de escolas e tem como objectivos dinamizar a escola com actividades lúdico-culturais contribuindo para o despertar de talentos e contribuir para uma sociedade melhor através da sua vertente solidária.

Um espectáculo solidário
A sala encheu na noite de 29 de Maio e cada bilhete vendido contribuiu para a alimentação de sete crianças num dia em Moçambique, através da APOIAR - Associação Portuguesa de Apoio a África e do seu projecto KUBULA, que constrói cozinhas escolares e oferece duas refeições diárias aos alunos assíduos. O projecto já permitiu construir 27 cozinhas que alimentam diariamente 10 mil crianças, sendo que este ano lectivo vão ser inauguradas mais três. Joana Teixeira, responsável de comunicação da APOIAR, explica que nas zonas mais rurais as crianças não vão à escola porque muitas vezes não têm energia para percorrer quatro quilómetros a pé e vão trabalhar com os pais.

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