Cultura | 19-06-2024 18:00

Constância pede apoios para dar dignidade e actividade diária à Casa Memória de Camões

Constância pede apoios para dar dignidade e actividade diária à Casa Memória de Camões
Nos 500 anos do nascimento do poeta foram depositadas coroas de flores junto à estátua de Camões. Foto CM Constância

Presidente da Câmara de Constância lamenta que Portugal seja dos poucos países que não se dedica ao estudo da obra de Camões e pede para Governo ajudar a dar dignidade à Casa Memória que existe na vila, uma vez que a autarquia e as entidades locais sozinhas não conseguem.

A Câmara de Constância quer apoios do Estado para “abrir em Portugal uma casa digna da memória de Camões”, pedido secundado pela direcção da Associação Casa Memória, no âmbito das comemorações dos 500 anos do nascimento do poeta. “Neste momento temos uma Casa Memória construída e a única coisa que falta é dotá-la de recursos financeiros e humanos para poder funcionar de forma permanente”, disse à Lusa o presidente da câmara Sérgio Oliveira (PS), notando que “sozinhas, a autarquia e as entidades locais, não conseguem”. “Estas comemorações de Camões permitiram reafirmar Constância como a terra mais camoniana de Portugal, e projectar o concelho a nível nacional e internacional”, afirmou Sérgio Oliveira, reivindicando apoios do Governo para a abertura permanente da Casa Memória de Camões.
“No dia em que o projecto de Camões em Constância esteja completo, ou, melhor dizendo, reafirmado, porque o projecto de Camões é dinâmico e nunca estará fechado, a afirmação do concelho será muito maior. E o reafirmar deste projecto faz-se com a abertura de forma permanente da Casa Memória de Camões. No dia em que esta concretização se realize, Constância passará a ser o Centro Nacional e Internacional para o estudo a aprofundamento de Camões”, vincou o autarca.
A Casa Memória de Camões começou a ser pensada e construída há 50 anos, mas até hoje nunca foi aberta ao público e aos turistas, com actividades regulares, a exemplo do que sucede em outros países, com outras figuras históricas, como em Espanha, com a Casa Cervantes, ou em Inglaterra, com a Casa Shakespeare.
Constância assinalou os 500 anos do nascimento de Camões com a deposição de uma coroa de flores junto à estátua do poeta e uma recriação histórica no âmbito das Pomonas Camonianas, com o parque de merendas, na zona ribeirinha, transformado num imenso mercado quinhentista, retratando a época em que viveu o poeta, envolvendo a população, a comunidade escolar e as associações do concelho. Em Constância, existem ainda o Monumento a Camões do mestre Lagoa Henriques e o Jardim-Horto Camoniano, desenhado pelo arquitecto Gonçalo Ribeiro Teles, que apresenta a maior parte das plantas referidas por Camões na sua obra e é considerado um dos mais vivos e singulares monumentos erguidos no mundo a um poeta.
Sérgio Oliveira disse que “teria todo o significado que o Ministério da Cultura tivesse aqui um olhar especial e que fosse desta vez, quando se assinalam os 500 anos do nascimento de Camões, que esta casa fosse dotada daquilo que é fundamental para estar a funcionar”, com abertura diária, a par de actividades regulares de estudo e investigação, defendeu.

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