Cultura | 02-04-2025 15:00

Na freguesia mais pequena do concelho do Cartaxo voltou a dançar-se o folclore

Na freguesia mais pequena do concelho do Cartaxo voltou a dançar-se o folclore
Novos membros mantiveram activo o Rancho Folclórico da Casa do Povo da Ereira

Rancho Folclórico da Casa do Povo da Ereira retomou a sua actividade no Verão passado e assinalou 30 anos com novos membros. Maria do Sameiro era a presidente e acompanhou todo o percurso do rancho até à actualidade. Nuno Franco, 27 anos, é o actual presidente e é membro do conselho técnico da Federação do Folclore Português.

Na Ereira, a freguesia do concelho do Cartaxo com menos população, voltou a dançar-se o folclore e mais de metade do grupo, de 25, nunca tinha dançado. O Rancho Folclórico da Casa do Povo da Ereira esteve parado quatro anos e retomou no Verão passado sem apoios, a pensar nos 30 anos da colectividade que se assinalaram no fim-de-semana de 22 e 23 de Março. A decisão foi tomada depois de um almoço animado na Festa do Vinho do Cartaxo. Ana Salvador, vinda de Lisboa há dois anos, começou a frequentar os ensaios antes do rancho cessar actividade e a sua teimosia e de Jorge Godinho, que era também um ex-membro, foram determinantes para a ideia avançar.
Maria do Sameiro, 40 anos, a então presidente, explica que não houve nenhuma lista candidata na altura e que, com um filho pequeno, já não conseguia continuar como presidente. Mãe de um menino de nove anos, foi uma das crianças do ATL, que pertencia ao Centro Social e Paroquial da Ereira, que deu origem ao rancho. “Houve um ano em que a educadora achou giro apresentarmos um rancho, ela tinha tido ligações ao rancho e tinha uma amiga que tinha ligações ao Rancho de Vale do Paraíso (Azambuja). Começámos a fazer ensaios com cassetes do Rancho de Vale do Paraíso”, conta. Seguiram-se os trajes, pedidos aos pais, com saia vermelha, blusa às flores, avental azul, sapatos pretos e lenço. Os rapazes de calças pretas, camisa branca, colete preto, barrete preto com uma faixa vermelha e cinta vermelha. A festa anual da Ereira realizava-se em Agosto e a convite da comissão de festas apresentaram-se em palco com o Rancho de Vale da Pedra. O casal do rancho de Vale da Pedra, Alda Semedo e Paulo, passou a ensaiar as crianças que mais tarde foram acolhidas pela Casa do Povo.
Maria do Sameiro começou a dançar no Rancho de Vale da Pedra por consideração ao casal e acabou por conhecer o marido Frederico Canteiro, de 35 anos, que dança desde os seis. Maria do Sameiro afirma que o folclore não é só o que vemos no palco, é a vivência, a forma como as pessoas se sentiam e interagiam.

Um jovem ímpar
Nuno Franco, 27 anos, pertence a quatro ranchos folclóricos – Ereira; Vila Nova do Coito, em Santarém, como ensaiador; Rancho da Fajarda, em Coruche; e a um rancho de Lisboa que representa o Minho –, e é presidente do rancho da Ereira e conselheiro técnico na Federação do Folclore Português. Trabalhador na área bancária e formado em engenharia zootécnica, critica por vezes os amigos por não fazerem nada em prol da comunidade. Nuno Franco reside no Cartaxo, mas regressa à Ereira, onde cresceu, várias vezes por semana. Ninguém da família directa tem ligação ao folclore. “Acho que há preconceito com o folclore. Pensam que é uma coisa de pessoas sem cultura, sendo que o folclore é cultura. É o parente pobre da cultura”, lamenta. Andou no teatro na Ereira e tocou na banda filarmónica. Com oito anos tentou entrar no rancho porque a prima em segundo grau dançava no grupo infantil, mas o pai não deixou, e só com 14 ou 15 anos deixou o teatro para ir para o rancho.
Nuno Franco é responsável pelos trajes, a maioria de trabalho e alguns trajes de festa e de domingueiro, com tecidos melhores. Normalmente não usam avental e nem sempre usam lenço na cabeça. O conselheiro da Federação do Folclore afirma que outras câmaras municipais vêem o folclore de outra forma, têm outro cuidado e reconhecem que estão a fazer um serviço público, revelando que com o desfile do primeiro de Maio e o festival à tarde, e a pagar aos acordeonistas, vão receber 150 euros. “Obriga as pessoas a estarem trajadas das nove da manhã às seis ou sete da tarde. E é pouco”, diz. O jovem estende as suas críticas às comissões de festas: “não percebo como é que pagam 5 e 7 mil euros a artistas e a um rancho nunca chegam a pagar 500 euros e fazemos uma hora de actuação com 30 pessoas em cima do palco”. O rancho, a única secção activa na Casa do Povo, tem realizado vários eventos para angariar dinheiro e sonha poder investir num palco novo que substitua o provisório de há 30 anos. “Se não mantivéssemos o rancho, ninguém sabia como se trajava na Ereira, dançava, vivia há 100 anos”, conclui.

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