Inteligência artificial e descuido dos utilizadores aumentam riscos de segurança online
A 30 de Novembro assinala-se o Dia da Segurança ao Computador, que pretende alertar para alguns perigos que espreitam do outro lado dos ecrãs, quer dos computadores quer dos telemóveis. Não agir por impulso e não confiar em tudo o que se lê é meio caminho andado para estar protegido.
A crescente utilização da inteligência artificial na informática está a transformar a segurança online numa preocupação ainda maior para os utilizadores da Internet. O Dia da Segurança ao Computador, que se assinala a 30 de Novembro, serve para alertar para os riscos e a necessidade de redobrar a atenção na navegação na web.
Michael Ferreira, professor de informática na Escola Secundária de Camarate e sócio da empresa Infortaurus, da Póvoa de Santa Iria, alerta que há muita desinformação e ignorância no uso de computadores por parte de uma grande franja da sociedade. “Estamos ainda muito infoexcluídos. Na hora de usar os computadores, muitas pessoas estão impreparadas para saberem o que estão a fazer online e para se manterem seguras”, avisa.
Mesmo os jovens, que muitas vezes se consideram bons em informática, cometem erros básicos que comprometem a segurança dos seus dados. Entre os exemplos mais comuns estão seguir links desconhecidos, responder a pessoas que não conhecem e criar passwords sem qualquer cuidado, ignorando regras fundamentais de segurança.
Usar determinado número de caracteres e números, com símbolos, pode dar trabalho, mas é fundamental para garantir contas seguras. “As pessoas clicam por impulso, sem pensar”, sublinha o professor de informática. A recomendação é simples. “Parar, respirar fundo e verificar antes de clicar. Por exemplo, se receber um email a dizer que tem uma factura pendente, o melhor é ir ao site oficial da empresa ou serviço e confirmar a informação”, explica.
A faixa etária também pode influenciar o cuidado com a segurança. Quanto mais velho é o utilizador, mais frequentes são os erros e a resposta impulsiva a solicitações online. Contudo, ataques informáticos têm-se tornado mais frequentes e sofisticados, afectando sites governamentais, bancos e redes de empresas, como recentemente aconteceu com os sites de várias câmaras municipais da região, incluindo Arruda dos Vinhos e Alenquer.
Dispensar técnicos e confiar na IA é um erro
Os piratas informáticos estão cada vez mais avançados e a batalha entre profissionais de tecnologias de informação (TI) e cibercriminosos assemelha-se a um “jogo de gato e rato”, em que a tecnologia evolui rapidamente mas a capacidade humana de adaptação continua aquém. “Muitos ataques são apenas por curiosidade, sem maldade, mas outros têm objectivos muito bem definidos e prejudiciais”, alerta Michael Ferreira, que teme que muitos dos sites nacionais não estejam bem protegidos contra ataques, incluindo as Finanças.
Segundo o técnico, muitas empresas têm dispensado pessoal dos departamentos de TI, confiando em IA para tarefas básicas. No entanto, quando surgem problemas complexos, é necessário o cérebro humano para conseguir resolver. A dependência excessiva de ferramentas de inteligência artificial, combinada com menos humanos a controlar sistemas críticos, aumenta os riscos de segurança digital. Algumas grandes empresas já estão a reverter esta decisão, percebendo que a IA afinal não resolve tudo. “Devemos ser desconfiados, ter sempre uma pulga atrás da orelha e verificar tudo o que nos é solicitado. A atenção e o cuidado de cada utilizador são a melhor protecção contra ameaças online”, conclui.


