Intempéries expõem fragilidades no Pavilhão do Porto Alto e deixam atletas sem treinos
As intensas chuvas de Novembro voltaram a expor fragilidades antigas no Pavilhão da EB 2,3 do Porto Alto, concelho de Benavente, onde infiltrações obrigaram à suspensão de aulas de artes marciais e reacenderam críticas sobre a falta de intervenção nos equipamentos desportivos municipais.
O Pavilhão da Escola EB 2,3 do Porto Alto, que acolhe diariamente aulas de Educação Física e actividades de várias associações desportivas, voltou a evidenciar graves problemas estruturais após as fortes chuvadas que atingiram o concelho nas primeiras semanas de Novembro.
A instalação, composta por dois espaços desportivos - o pavilhão principal, com bancada para 320 pessoas, e uma sala gímnica usada por modalidades como ginástica, judo e taekwondo - ficou parcialmente inoperacional depois de uma parte do telhado ter sido danificada pelo vento. Este facto, associado a infiltrações junto a janelas e paredes acabaram por danificar material desportivo.
António Medeiros, professor de Educação Física e treinador de taekwondo, sócio-fundador da EtamDo – Associação Desportiva e Cultural, tem sido uma das vozes mais activas na denúncia da situação. Através de vídeos publicados na sua página pessoal do Facebook, foi mostrando a evolução dos danos. Num primeiro alerta, relatou que voou uma das telhas do tecto na sala gímnica, o que obrigou à colocação de baldes para recolher a água e mostrava preocupação com o agravamento do estado do tempo nos dias seguintes.
Em 12 de Novembro enviou uma carta ao município a pedir uma intervenção urgente, lembrando que os tapetes de taekwondo e judo são “muito dispendiosos” e que os prejuízos poderiam ascender a milhares de euros caso as chuvas continuassem, o que veio a confirmar-se. Um dia depois o cenário agravou-se. Havia mais tapetes de judo levantados devido à água que entrou no pavilhão, infiltrações nas janelas laterais e água a fluir do primeiro andar, descreveu o docente. O chão ficou totalmente molhado, inviabilizando a prática desportiva. “É inadmissível. As crianças não podem ter actividade física neste espaço. Passei por isto há alguns anos atrás e agora estou a sofrer a mesma situação. Estou sem palavras”, lamentou.
A ETAM-Do acabou mesmo por suspender as aulas de taekwondo de 14 de Novembro, justificando a decisão com “falta de condições adequadas”. A associação pediu desculpa aos atletas.
O assunto chegou depois à reunião de câmara de Benavente. O vereador Pedro Gameiro criticou a demora na resposta da autarquia, afirmando que alertou para o problema a 10 de Novembro e que, apesar de a presidente ter tomado boa nota e recebido uma carta detalhada, “até dia 13 nada foi feito”. Segundo o eleito, apenas após as chuvadas o assessor Nelson Norte se deslocou ao local, quando “o prejuízo já estava criado”. Questionou ainda quem assumirá os danos materiais junto das associações.
O vice-presidente da autarquia, Paulo Abreu, admitiu que o problema já era conhecido pelo anterior executivo, que solicitou orçamentos para a reparação do telhado, tanto no pavilhão do Porto Alto como no de Samora Correia. “Os orçamentos chegaram, mas não se avançou”, afirmou, garantindo que a actualização dos valores já foi solicitada para avançar “rapidamente” com a reparação das coberturas nos dois equipamentos desportivos.


