Cultura | 13-01-2026 15:00

Associação de Vale de Óbidos renasceu para unir população da aldeia

Associação de Vale de Óbidos renasceu para unir população da aldeia
Os dirigentes associativos Luís Reis, Ana Raquel Batego e Daniel Mateus - foto O MIRANTE

Com uma direcção jovem e o apoio da população, a colectividade de Vale de Óbidos voltou a ser o centro da vida comunitária da aldeia do concelho de Rio Maior.

A Associação Representativa, Desportiva e Cultural de Vale de Óbidos, no concelho de Rio Maior, voltou a ganhar vida quase sete anos depois de ter fechado portas. Fundada em 1976 por moradores da aldeia, a colectividade renasceu em Junho de 2025 pela mão de uma direcção jovem, composta por 26 elementos, todos da aldeia e com idades entre os 20 e os 30 e poucos anos. À frente do projecto está Luís Reis, 29 anos, acompanhado por dirigentes como Daniel Mateus, 30, e Ana Raquel Batego, 29, que assumiram o desafio de recuperar um espaço que consideram essencial para o convívio e identidade local.
Criada numa altura em que a associação funcionava como voz activa da população junto da junta de freguesia e da câmara municipal, a colectividade teve ao longo dos anos um papel sobretudo cultural, sem deixar de lado a vertente desportiva. Chegou a ter uma equipa de futebol, um campo próprio e vários grupos culturais que marcaram gerações, como os Meninos da Mamã ou o Preto e Branco, e as marchas populares, cujos arcos ainda hoje estão guardados na sede.
O encerramento em 2018 ficou a dever-se a uma conjugação de factores, entre receios associados a dívidas antigas e a dificuldade em formar listas para novos corpos sociais. Ainda assim, a saudade do sentimento de comunidade que a colectividade proporcionava nunca desapareceu por completo, sobretudo entre quem participou nos eventos enquanto jovem. “Mesmo com a antiga direcção, nós sempre ajudámos nas festas e estivemos presentes, então guardamos muitas memórias boas e queríamos proporcionar novos momentos à comunidade”, sublinha Luís Reis, acrescentando que muitos dos actuais dirigentes têm ligações familiares antigas à associação.
O processo de reactivação começou a ganhar forma em 2022, quando Luís Reis decidiu aprofundar o passado da associação, perceber a real situação financeira e esclarecer todas as questões legais antes de avançar. Só depois de garantir que não existiam riscos para a nova direcção é que o grupo decidiu avançar, assumindo uma gestão que ainda hoje se define como “jovem e verde”, mas motivada e consciente dos desafios. A resposta da população não tardou a chegar, tendo a primeira iniciativa organizada, uma caminhada em Julho, superado todas as expectativas. “Esperávamos cerca de 100 pessoas, mas apareceram quase 400, então até tivemos de improvisar e ir buscar mais mesas e cadeiras”, relembra Daniel Mateus, afirmando que foi a confirmação de que a aldeia queria, de facto, a associação de volta.

Apoio da comunidade faz a diferença
Desde Junho de 2025, a associação tem promovido uma actividade por mês, desde caminhadas a passeios de motorizadas, almoços convívio ou a comemoração do 49º aniversário da colectividade. Em paralelo, a direcção tem-se dedicado à reabilitação da sede, um edifício amplo com dois pisos, várias salas, salão com palco, café, uma cozinha e ainda um armazém. Todo o trabalho tem sido feito com o apoio da comunidade, que contribui com mão-de-obra, materiais, refeições ou pequenos gestos que, segundo os dirigentes, fazem toda a diferença.
“Ainda há uns dias estiveram aí moradores a pôr azulejos e até eles tomam a iniciativa de ligarem a perguntar se podem vir cá este fim-de-semana fazer isto ou aquilo”, salienta Ana Batego. A par do apoio popular, a associação conta também com ajuda do poder local, nomeadamente um apoio financeiro da Câmara Municipal de Rio Maior para a reabilitação da sede.
Manter as tradições é uma das prioridades da nova jovem direcção, como a queima da bruxa nas festas de São João, mas a aposta passa também por modernizar e atrair públicos mais jovens, introduzindo eventos mais informais e iniciativas que promovam o convívio intergeracional. Um dos projectos passa pela criação de um Festival de Sopas e Tradições, em parceria com outras associações do concelho, promovendo a entreajuda e a partilha cultural entre colectividades.
Apesar do entusiasmo, os dirigentes têm consciência das dificuldades, nomeando a burocracia, a gestão financeira e a necessidade de agradar a diferentes sensibilidades como os maiores desafios. Ainda assim, defendem que a perseverança e uma gestão responsável são fundamentais para garantir que a associação se mantém viva e sustentável, sem dar “passos maiores que a perna”. “Já nos disseram que estamos a ser pouco ambiciosos, mas nós ainda estamos a negativos. Apesar de estarmos aos poucos a pagar as dívidas antigas, elas ainda lá estão e um dos nossos maiores objectivos é saldá-las. Queremos primeiro fazer uma boa gestão dos recursos para conseguirmos depois ser sim ambiciosos”, sublinha o presidente.
Acrescenta que a maior recompensa tem sido ver a sede cheia, as pessoas a conviver e os laços a serem reatados, havendo muitos jovens que voltaram a passar mais tempo na aldeia e antigos amigos a reencontrarem-se. “O melhor que retiramos do nosso percurso até agora é ver que a comunidade está a gostar dos eventos que estamos a fazer e o envolvimento deles todos. É sinal que as pessoas estão orgulhosas e felizes de como estamos a tratar uma coisa que não é nossa, mas sim da comunidade”, destaca Daniel Mateus.

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