Sociedade Recreativa Operária quer profissionalizar produção cultural em Santarém
O actor Pedro Filipe Oliveira assumiu recentemente a presidência da direcção da Sociedade Recreativa Operária de Santarém e quer reforçar a dinâmica da centenária colectividade sediada no centro histórico da cidade.
A Sociedade Recreativa Operária (SRO), no centro histórico de Santarém, vai apostar na criação de uma estrutura de produção cultural mais profissionalizada, capaz de dar oportunidades a artistas locais e atrair apoios para projectos de maior dimensão. “O nosso grande objectivo é criar uma estrutura de produção cultural mais profissional, que permita dar trabalho a jovens formados na área das artes e a artistas que procuram oportunidades fora dos grandes centros”, disse à agência Lusa o novo presidente da colectividade, Pedro Filipe Oliveira.
Para isso, a SRO pretende candidatar-se a apoios da Direcção-Geral das Artes e da União Europeia, através de parcerias internacionais, mas também manter uma base sólida de receitas próprias. “Todas as iniciativas têm de garantir retorno, não podemos correr o risco de prejuízo”, sublinhou o dirigente.
A aposta na profissionalização surge acompanhada de um plano para diversificar a programação cultural. Entre as novidades está a expansão das aulas de danças sociais, lançadas no ano passado, que se tornaram um sucesso entre a comunidade local. “É uma forma das pessoas se encontrarem e combaterem o isolamento, não só através do teatro, mas também da dança”, destacou Pedro Filipe Oliveira.
Entre os projectos para o próximo biénio, a nova direcção pretende ainda manter e expandir a secção de teatro, com novas produções e colaborações com criadores da cidade, e manter iniciativas já consolidadas, como os jantares temáticos e o Dia da Paz. Com cerca de 500 sócios, a SRO quer reforçar a comunicação e a presença nas redes sociais, para dar maior visibilidade às actividades e atrair novos públicos. “Somos uma sociedade com mais de cem anos, mas queremos afirmar-nos como espaço de encontro, debate e criatividade”, destacou o presidente.
Segundo Pedro Oliveira, a associação, que nasceu no contexto das fraternidades operárias e foi espaço de resistência durante a ditadura, desempenha um papel importante na programação cultural de Santarém ao estimular “o pensamento crítico e o debate”, lembrando que a SRO é “única na cidade” pela diversidade e regularidade da sua programação.


