Cultura | 28-01-2026 12:00

17 anos a aprender a viver: Universidade Sénior de Benavente celebrou longevidade

17 anos a aprender a viver: Universidade Sénior de Benavente celebrou longevidade
População sénior de Samora Correia e Benavente empenhada em contrariar a passagem do tempo com iniciativas activas - foto O MIRANTE

Celebração juntou gerações, cruzou expressões artísticas e prestou homenagem ao envelhecimento activo, num programa que encheu o Centro Cultural de Samora Correia de música, palavras e gestos simbólicos.

A Universidade Sénior do Concelho de Benavente assinalou, no sábado, o seu 17.º aniversário com uma sessão comemorativa no Centro Cultural de Samora Correia, marcada pela diversidade artística, pelo envolvimento intergeracional e por momentos de reconhecimento aos alunos mais longevos. O programa teve início com a inauguração de uma exposição que reuniu trabalhos desenvolvidos por alunos e professores da universidade sénior, patente ao público no espaço cultural, funcionando como porta de entrada para uma tarde dedicada à criatividade e à partilha.
Seguiu-se, no auditório, um espectáculo composto por vários momentos. A abertura recriou tradições locais, juntando um grupo de seniores em canto e música, com a participação simbólica de três crianças que entraram em palco transportando uma vela, num gesto evocativo de continuidade e transmissão de valores entre gerações.
O palco acolheu depois a interpretação de Uma pobre viuvinha, a par da exibição de um vídeo sobre o projecto Dress Girl, iniciativa de cariz solidário que visa a recolha e entrega de peças de roupa a crianças do continente africano, reforçando a dimensão social da universidade sénior. Um dos momentos mais marcantes da sessão foi a homenagem aos alunos que completaram 80 anos de idade, num reconhecimento público do percurso de vida e da participação activa na comunidade educativa. Houve ainda espaço para a palavra dita, com a actuação dos jograis e a interpretação do Monólogo das Mãos, poema imortalizado pela actriz brasileira Bibi Ferreira, apresentado por uma das alunas numa actuação que mereceu prolongados aplausos. A comemoração incluiu igualmente um momento de ginástica, ao som de ritmos estimulantes, sublinhando a importância da actividade física no envelhecimento saudável, encerrando uma tarde que celebrou a longevidade, a cultura e o papel da universidade sénior na vida do concelho.
Entre o público, ouvimos também testemunhos de quem faz da universidade sénior um espaço central do seu quotidiano. Abel Pardão, de 76 anos, residente em Benavente, integra a tuna desde os primeiros tempos e sublinha o ambiente de proximidade vivido na instituição. “É um sítio sossegado, onde tentamos dar-nos bem uns com os outros, vivemos a vida à nossa maneira”, afirmou, deixando um apelo à participação: “Não fiquem fechados em casa no sofá, venham passear e ver o que é bom junto das pessoas que ali andam”.
Também Joaquim Castanheiro, de 73 anos, natural da Barrosa, encontrou na universidade sénior uma resposta activa à reforma. Músico amador, ingressou na tuna e em disciplinas como história da arte e literatura, valorizando o convívio e a descoberta cultural. “É uma forma de estabelecermos laços de amizade e de evitarmos estar o dia inteiro no sofá”, referiu, destacando as visitas a museus, palácios e bibliotecas como parte de um percurso que “tem valido a pena”.

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