Cultura | 28-01-2026 18:00

Zé Maria transforma madeira em memória viva de Vale do Paraíso

Zé Maria transforma madeira em memória viva de Vale do Paraíso
José Sousa empenhou três meses na construção de uma réplica do coreto de Vale do Paraíso - foto O MIRANTE

Depois da reforma, José Sousa, conhecido por Zé Maria, encontrou no artesanato uma forma de se manter activo e ligado às raízes da freguesia de Vale do Paraíso, no concelho de Azambuja. Com paciência e atenção ao detalhe, o antigo operador metalúrgico cria miniaturas em madeira de edifícios emblemáticos da terra onde nasceu e cresceu.

José Sousa tem 73 anos, é natural da freguesia de Vale do Paraíso e reformou-se há oito anos da fábrica Frauenthal Automotive, em Aveiras de Baixo, onde trabalhou como operador metalúrgico. Desde então, dedica grande parte do seu tempo livre à construção de peças artesanais em madeira, recriando em miniatura alguns dos símbolos mais marcantes da freguesia. Mais conhecido por Zé Maria, o artesão encontrou no trabalho manual uma forma de continuar activo depois da reforma. “Desde a escola primária que sempre gostei de trabalhos manuais e pintura”, afirma a O MIRANTE. Foi apenas após terminar a vida profissional que conseguiu dedicar-se com mais regularidade ao artesanato. “É uma forma de fazer o que gosto e de me manter activo”, sublinha.
A primeira peça que produziu foi a miniatura da Igreja de Nossa Senhora do Paraíso, edifício central e emblemático da freguesia. O trabalho surgiu como forma de homenagear o património local e acabou por se tornar numa das peças de que mais se orgulha. Inicialmente construída em menor dimensão, a igreja viria mais tarde a integrar um presépio maior, criado para a rua onde vive. Actualmente, esse presépio encontra-se exposto na Rua do Palanque, em Vale do Paraíso, durante o mês de Dezembro, tornando-se um ponto de passagem obrigatório para quem visita a freguesia na época natalícia.
O projecto mais recente de José Sousa é a miniatura do coreto de Vale do Paraíso, situado junto à igreja. Segundo o artesão, foi a peça que exigiu mais tempo e dedicação. “Foram três meses de trabalho”, afirma, destacando o nível de detalhe necessário para reproduzir fielmente a estrutura original. A ideia para a construção do coreto surgiu numa conversa com Francisco Sousa, proprietário do Café Coreto. “O meu primo pediu-me para fazer um coreto para colocar no café”, conta José Sousa. Durante o mês de Dezembro, a peça esteve exposta no interior do estabelecimento, numa homenagem ao nome do café.
Para a execução das suas obras, José Sousa utiliza sobretudo madeiras mais macias, como o pau-rosa e o pau-preto, madeiras provenientes do Brasil e mais resistentes aos parasitas. “São mais fáceis de trabalhar e permitem acabamentos mais delicados”, explica. O que começou como um simples passatempo rapidamente despertou a atenção de familiares, amigos e visitantes. As peças são frequentemente fotografadas, partilhadas nas redes sociais e alvo de elogios. Apesar de já ter recebido propostas para vender os trabalhos, o artesão prefere manter a actividade num registo informal. “Ainda estou a aprender e a melhorar o que faço”, afirma.
Para breve está prevista a criação de uma miniatura da Escola Básica de Vale do Paraíso, um novo desafio já lançado ao artesão. O processo de criação da próxima peça encontra-se já em desenvolvimento, mantendo viva a ligação entre a madeira, a memória e a identidade da freguesia.

As peças do artesão José Sousa, conhecido por Zé Maria, estão a ganhar popularidade - foto O MIRANTE

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