Zé Maria transforma madeira em memória viva de Vale do Paraíso
Depois da reforma, José Sousa, conhecido por Zé Maria, encontrou no artesanato uma forma de se manter activo e ligado às raízes da freguesia de Vale do Paraíso, no concelho de Azambuja. Com paciência e atenção ao detalhe, o antigo operador metalúrgico cria miniaturas em madeira de edifícios emblemáticos da terra onde nasceu e cresceu.
José Sousa tem 73 anos, é natural da freguesia de Vale do Paraíso e reformou-se há oito anos da fábrica Frauenthal Automotive, em Aveiras de Baixo, onde trabalhou como operador metalúrgico. Desde então, dedica grande parte do seu tempo livre à construção de peças artesanais em madeira, recriando em miniatura alguns dos símbolos mais marcantes da freguesia. Mais conhecido por Zé Maria, o artesão encontrou no trabalho manual uma forma de continuar activo depois da reforma. “Desde a escola primária que sempre gostei de trabalhos manuais e pintura”, afirma a O MIRANTE. Foi apenas após terminar a vida profissional que conseguiu dedicar-se com mais regularidade ao artesanato. “É uma forma de fazer o que gosto e de me manter activo”, sublinha.
A primeira peça que produziu foi a miniatura da Igreja de Nossa Senhora do Paraíso, edifício central e emblemático da freguesia. O trabalho surgiu como forma de homenagear o património local e acabou por se tornar numa das peças de que mais se orgulha. Inicialmente construída em menor dimensão, a igreja viria mais tarde a integrar um presépio maior, criado para a rua onde vive. Actualmente, esse presépio encontra-se exposto na Rua do Palanque, em Vale do Paraíso, durante o mês de Dezembro, tornando-se um ponto de passagem obrigatório para quem visita a freguesia na época natalícia.
O projecto mais recente de José Sousa é a miniatura do coreto de Vale do Paraíso, situado junto à igreja. Segundo o artesão, foi a peça que exigiu mais tempo e dedicação. “Foram três meses de trabalho”, afirma, destacando o nível de detalhe necessário para reproduzir fielmente a estrutura original. A ideia para a construção do coreto surgiu numa conversa com Francisco Sousa, proprietário do Café Coreto. “O meu primo pediu-me para fazer um coreto para colocar no café”, conta José Sousa. Durante o mês de Dezembro, a peça esteve exposta no interior do estabelecimento, numa homenagem ao nome do café.
Para a execução das suas obras, José Sousa utiliza sobretudo madeiras mais macias, como o pau-rosa e o pau-preto, madeiras provenientes do Brasil e mais resistentes aos parasitas. “São mais fáceis de trabalhar e permitem acabamentos mais delicados”, explica. O que começou como um simples passatempo rapidamente despertou a atenção de familiares, amigos e visitantes. As peças são frequentemente fotografadas, partilhadas nas redes sociais e alvo de elogios. Apesar de já ter recebido propostas para vender os trabalhos, o artesão prefere manter a actividade num registo informal. “Ainda estou a aprender e a melhorar o que faço”, afirma.
Para breve está prevista a criação de uma miniatura da Escola Básica de Vale do Paraíso, um novo desafio já lançado ao artesão. O processo de criação da próxima peça encontra-se já em desenvolvimento, mantendo viva a ligação entre a madeira, a memória e a identidade da freguesia.


