João Lobo: o músico de Azambuja que cresceu nas bandas da terra
A música sempre fez parte da vida de João Lobo. Natural de Azambuja, o músico e compositor construiu um percurso ligado às bandas filarmónicas da região e, mais recentemente, à composição, onde tem procurado traduzir em som a identidade, a história e as tradições da sua terra.
O Dia Mundial do Compositor assinalou‑se na quinta‑feira, 15 de Janeiro, e O MIRANTE esteve à conversa com João Lobo, músico e compositor natural de Azambuja, cujo percurso está profundamente ligado ao movimento filarmónico. João Lobo, 39 anos, é compositor, músico e engenheiro informático. Conta com mais de três décadas de ligação à música, tendo passado por várias bandas filarmónicas do concelho e da região. O gosto pela música surgiu cedo: aos sete anos entrou para a Banda Filarmónica do Centro Cultural Azambujense para aprender solfejo e, aos nove, estreou‑se oficialmente como trompista. A escolha do instrumento não foi imediata. “Não fui eu que escolhi a trompa; era o instrumento que fazia falta na banda naquela altura. Não seria o instrumento que teria escolhido, mas acabei por ganhar gosto e não estou nada arrependido”, recorda. Na altura, o instrumento era quase maior do que ele, mas a experiência de vestir a farda, sair à rua e sentir o espírito de grupo marcou‑o profundamente.
Sem formação académica na área da música, João Lobo construiu o seu percurso através da prática, da escuta e da experiência. As vivências acumuladas em várias bandas filarmónicas, nomeadamente em Azambuja, Vila Franca de Xira, Pontével e Alcoentre, foram determinantes para a sua evolução musical. O compositor reconhece a influência de diversos músicos e maestros que encontrou ao longo do caminho, destacando o papel das bandas enquanto espaços de aprendizagem, partilha e crescimento pessoal e artístico. O interesse pela composição surgiu mais recentemente, em 2024, com a criação do Azambuja Brass Quintet, um grupo de metais do concelho. A necessidade de repertório próprio levou‑o a explorar programas de escrita musical e a criar os primeiros arranjos, inicialmente para o quinteto e, mais tarde, para bandas filarmónicas. As suas obras reflectem a identidade local e o espírito colectivo característico do movimento filarmónico.
Actualmente, João Lobo conta com uma dezena de composições de autoria própria, entre as quais “Feira de Maio em Azambuja”, “Nossa Senhora da Assunção” e “Oleastrum”, dedicadas maioritariamente ao município. Em Janeiro de 2026, decidiu doar três das suas obras à Câmara Municipal de Azambuja, como forma de perpetuar o seu trabalho no concelho. “Não sou um compositor profissional, faço por gosto, e faz todo o sentido que as minhas obras possam ser usadas para promover a nossa terra. É uma grande honra, porque é a terra onde sempre vivi, e uma forma de servir a comunidade”, afirma. As composições “Feira de Maio em Azambuja”, “Nossa Senhora da Assunção” e “Oleastrum” inspiram‑se na história, nas tradições e na identidade sociocultural da vila.
Actualmente, João Lobo toca trompa na Banda Filarmónica da ADR “O Paraíso”, em Vale do Paraíso, e integra o Azambuja Brass Quintet. Divide a actividade musical com a sua carreira profissional na área da informática, mas garante que a inspiração continua a surgir sempre que há uma história para contar. “Para mim tem de haver sempre um propósito por detrás de cada composição”, conclui.


