Tricentenário da “Notícia Histórica” quer unir Alcanede e Pernes e procura mecenas para 2026
Obra escrita em 1726 por Simão Froes de Lemos volta a colocar o antigo termo de Alcanede no centro da história. Comissão executiva desafia comunidade, autarquias e empresas a apoiar um programa ambicioso que quer deixar marca duradoura no território.
O tricentenário da obra “Notícia Histórica e Topográfica da Vila de Alcanede” já está em marcha e promete mobilizar o antigo termo de Alcanede em torno da sua memória colectiva. O projecto comemorativo foi apresentado no sábado, 15 de Fevereiro, com um apelo à participação da comunidade e à angariação de mecenas e patrocinadores que tornem possível concretizar, em 2026, um programa cultural de grande alcance. Redigida em 1726 por Simão Froes de Lemos, a obra é considerada a primeira grande referência escrita dedicada ao território de Alcanede, constituindo uma fonte essencial para compreender a história, os costumes, o património natural e edificado de uma vasta área que hoje se distribui pelos concelhos de Alcanena, Rio Maior e Santarém.
O antigo “termo de Alcanede” integra actualmente 13 freguesias (Abrã, Alcanede, Alcobertas, Amiais de Baixo, Arneiro das Milhariças, Espinheiro, Fráguas, Gançaria, Louriceira, Malhou, Minde, Pernes e São Sebastião) num território com identidade própria e raízes históricas profundas, que os promotores querem agora valorizar e projectar. Entre os principais objectivos do programa está a homenagem a Simão Froes de Lemos, apontado como figura fundadora da historiografia local, bem como a divulgação de obras já publicadas sobre a história e o património da região.
Estão previstas exposições temáticas, jornadas de debate sobre história e património, inventariação e digitalização de documentos de arquivos históricos, além da publicação de livros e roteiros culturais que permitam tornar acessível ao grande público o conhecimento produzido ao longo de séculos. A recolha de fotografias antigas, testemunhos e memórias da comunidade sobre a cultura popular do território é outra das vertentes do projecto, assim como o levantamento do património histórico, artístico e cripto.
A comissão executiva do Tricentenário é composta por Clara Albino, Gabriel Feitor, Jorge Sobota, Luís Melo, Raul Violante e Vítor Serrão, que assumem o compromisso de construir um programa participado e abrangente. Mas para que as comemorações ganhem dimensão à altura dos 300 anos da obra, os promotores reconhecem que será essencial envolver autarquias, associações, empresas e particulares. A angariação de mecenas e patrocinadores privados surge como peça-chave para transformar a efeméride num verdadeiro movimento cultural de afirmação do território.


