Cultura | 21-02-2026 07:00

Apesar do mau tempo Amiais de Baixo voltou a honrar São Sebastião

Apesar do mau tempo Amiais de Baixo voltou a honrar São Sebastião
João Santos e Érica Marques, José Teixeira com o pai e Michael Martinho

Chuva trocou datas aos festejos em honra de São Sebastião, mas vendedores garantem que decisão evitou prejuízos. Há, ainda assim, críticas à organização do espaço e ao preço das bancas.

A vila de Amiais de Baixo voltou a viver um dos momentos mais aguardados do seu calendário com as festas em honra de São Sebastião, adiadas uma semana devido ao mau tempo. Entre 13 e 17 de Fevereiro, o recinto voltou a ganhar vida, com música, tradição e dezenas de bancas, numa edição marcada por uma decisão que, para muitos comerciantes, acabou por evitar prejuízos. No segundo dia do certame, vários vendedores falaram com O MIRANTE e foram unânimes num ponto: o adiamento foi acertado. Se a festa tivesse decorrido na data inicialmente prevista, a chuva e o frio teriam afastado público e dificultado deslocações. Ainda assim, nem tudo foi consensual, com críticas à disposição das bancas e ao valor cobrado pela participação.
Erica Marques, 21 anos, estreante nestas festas com a roulotte Lino Sport Bar, deslocou-se da Golegã com o marido. Natural de Portalegre, onde o pai iniciou o negócio que hoje continua, acredita que a mudança de datas jogou a favor. “Se tivesse sido na primeira data, tinha sido muito pior. Até para vir seria complicado. Agora o tempo já ajudou mais”, refere. Apesar disso, a jovem nota que a circulação de pessoas nem sempre se traduziu em consumo. “Há muita gente a passar, mas nem todos param”, observa, apontando a localização da sua banca, afastada da zona dos concertos, como um dos factores que condiciona o movimento. Defende que a concentração das roulottes e espaços de restauração junto ao palco poderia potenciar vendas e criar maior dinâmica no recinto. Erica Marques considera ainda que o custo de participação é elevado para a época do ano. “É bem mais caro do que outras festas. No Inverno, as pessoas não andam tanto em festas como no Verão. O negócio já é mais difícil e, para a altura que é, o valor torna-se puxado”, sublinha.
Mais experiente nestas andanças, Michael Martinho, 44 anos, presença habitual com a sua banca de ginja, mantém uma visão mais optimista. Natural de Óbidos e com cerca de uma década de experiência em feiras e certames, garante que as festas de Amiais continuam atractivas. A residir em Alcobertas, no concelho de Rio Maior, desde que iniciou a actividade, afirma que nunca teve prejuízo neste evento. “Tem valido sempre a pena vir. Só não compensa quando o tempo é mesmo muito mau, por isso até foi bom ter havido o adiamento”, admite. Ainda assim, reconhece que o primeiro dia, marcado por alguma chuva, acabou por travar parte da adesão.
Também José Teixeira, 24 anos, da “Casinha do Açaí”, faz um balanço cauteloso. Deslocou-se de Ponte de Sor depois de ter conhecido a festa através das redes sociais e acredita que tudo depende do público. “O valor pode ser alto, mas se houver rendimento não custa tanto. Também podia ser barato e não compensar se não houvesse movimento. É uma questão de adesão”, afirma. Tal como os restantes vendedores, entende que a organização do espaço pode fazer a diferença. “Há quem esteja junto aos concertos e quem fique mais afastado. Quem não está perto do palco acaba por sair prejudicado, embora presuma que os valores também sejam diferentes consoante a localização”, conclui.
Apesar das críticas pontuais, o sentimento dominante entre os comerciantes é de que a decisão de adiar salvou a festa e os negócios. Num mês tradicionalmente difícil para feirantes e vendedores ambulantes, São Sebastião voltou a cumprir a tradição e a provar que, em Amiais de Baixo, a fé e a persistência também ajudam a contrariar o mau tempo.

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